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domingo, 18 de agosto de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: CARLOS ZAMITH



Homenagem prestada ao saudoso amigo Carlos Zamith, que faleceu no dia 27 de julho último, em Manaus, aos 87 anos.

Por José Ribamar Bessa Freire
 

Tinha 87 anos, 60 dos quais dedicados ao jornalismo esportivo. Despediu-se há duas semanas, deixando na orfandade uma legião de leitores fiéis que o seguiam, com fidelidade canina, a cada domingo, religiosamente, como quem vai a missa. Abríamos sempre o jornal no caderno de esporte e, antes de qualquer coisa, líamos a coluna Baú Velho. Quando Carlos Zamith, escritor, colecionador e guardião da memória do futebol no Amazonas mudava de jornal, a gente não queria nem saber: ia atrás dele.
É que no Baú Velho, a gente encontrava um pouco de tudo. Lá estavam as tardes mornas de domingo no Parque Amazonense: vestiário, gramado, bola, chuteira, jogadas sensacionais, arquibancada, gritos da torcida, alegria, sofrimento. O mundo cabia no Beco do Macedo, "o mundo todo girando, rodando e rebolando, o mundo todo, inteirinho, amassado, sacudido, debaixo dos pés do time", como canta o poeta Farias de Carvalho.
Numa partida de futebol, o que podia estar em jogo era o destino da humanidade. Lá, dentro do Baú, cabiam a vida borbulhante da cidade, o bonde da Praça da Saudade, a pracinha da Estação, o velho cais, os casais de namorados, as conversas na banca de tacacá nos domingos coloridos, as duas mãos do poeta e o sentimento do mundo.
Quem diz que o brasileiro não tem memória é porque jamais presenciou acaloradas discussões nas esquinas das cidades brasileiras ou na banca de tacacá da dona Alvina, onde Zé Buchinho e Petel recordavam cada lance daquele clássico Rio Negro x Nacional disputado no tempo do finado puta-merda, avaliando décadas depois qual o gol mais bonito: se o do Dermilson ou o do Thomaz Passa-Fome.

O COLECIONADOR

Sempre me intrigou como os apaixonados por futebol não esquecem detalhes de uma antiga partida, firulas de um drible, erros de arbitragem. O Brasil seria outro se os trabalhadores lembrassem de greves, da luta pela jornada de oito horas e de seus líderes sindicais com igual fervor e paixão.
Essa mesma paixão encontrada na memória oral da banca de tacacá está presente no Baú Velho de Carlos Zamith, que bate um bolão, "mexendo papéis antigos" para desenhar "um mapa de sonhos", como naquele outro baú do poeta. Ele era um colecionador nato que arquivou jornais, revistas, artigos, fotos, charges, e foi identificando e classificando esse material, criando uma espécie de museu do futebol amazonense. O Baú Velho se tornou um lugar de memória da nossa cultura popular.
O acervo do Baú formado pela coleção pessoal de Carlos Zamith foi enriquecido por pesquisas que realizou em jornais antigos da hemeroteca do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Biblioteca Pública. Ele foi anotando tudo em cadernos antigos, com devoção, com unção: campeonatos amazonenses, escalação dos times, arbitragem, renda, público, biografia e perfil dos jogadores. Organizou ainda narrativas orais que habitualmente só circulavam nas bancas de tacacá.
Aqui ele era imbatível. O desenho do perfil dos craques que faz é uma pintura, para ilustrar basta o exemplo do Boanerges, lateral do Nacional nos anos 1950. Quem o viu jogar e ainda por cima é nacionalino, como acontece com este locutor que vos fala, fica arrepiadinho. É pura emoção:
"(Boanerges) Nunca defendeu outro time a não ser o Nacional que era a sua vida desde garoto. Aprendeu a adorar a camisa da estrela azul solitária quando a sede ainda era na Rua Saldanha Marinho. Jogador raçudo, de boa impulsão, disposto a enfrentar qualquer jogada ríspida, firme na marcação, jogava mais com a perna esquerda e quando deixava o campo, com o rosto, de pele clara, bem avermelhada, demonstrava o esforço, sua luta pela camisa que vestia. Por tudo isso foi um ídolo da torcida nacionalina, porém esquecido, como sempre acontece no futebol".

LUGAR DE MEMÓRIA

A luta contra o esquecimento e contra outras armadilhas da memória é justamente um dos objetivos do Baú que ajudou a contar e a perpetuar histórias, colecionando, classificando e hierarquizando a informação. Não se trata apenas de uma recordação, mas de um processo de reconstrução da memória no qual Zamith foi um grande arquiteto na busca de eternizar os ídolos de nossa infância. Um reles escanteio, na pena de Zamith, ganhava contornos épicos, uma cabeçada bem dada lá no ninho da coruja tinha algo de heroico, de sublime.
O Baú não pode fechar, tem que continuar. Alguém tem que guardar para a posteridade a partida entre Nacional e Vasco da Gama pelas oitavas de final da Copa do Brasil no próximo dia 20 de agosto. Alguém tem que documentar o sofrimento dos vascaínos do Amazonas, que torcem pelo Nacional, divididos dramaticamente entre a Estrela Azul e a Cruz de Malta. Zamith, embora rionegrino e botafoguense, estará presente no coração do público neste dia no Estado do Sesi, no Coroado.
Leio agora neste Diário do Amazonas que o acervo do Baú Velho será tombado pelo Governo do Estado e vai ser musealizado, de acordo com proposta aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas na semana passada. Deve ser abrigado no Museu de Numismática, localizado na Praça da Polícia. Os nomes dos deputados Marcelo Ramos (PSB) e José Ricardo Wendling (PT), que apoiam a proposta, podem constituir garantia de que o Museu não será mais uma instituição burocrática a serviço dos interesses particulares do Berinho, sempiterno secretário de Cultura.
O Baú Velho do Carlos Zamith pode se inspirar no Museu do Futebol de São Paulo, cujo curador Leonel Kaz vê o museu como "um lugar para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos".
- Museu é lugar de entrar e dizer: é nosso! É lugar, portanto, de olhar de forma distinta para as coisas. E para os seres também. É lugar de aprender a olhar com outro olhar para o outro (que quase nunca vemos), para a escola (que pode ser, a cada dia, diferente do que é habitualmente) e para a cidade (que tanto desprezamos, porque parece não nos pertencer)" – escreve Leonel Kaz.
Ou na versão do cantador e repentista Ivanildo, citado na coluna de José Miguel Wisnik: "O museu é um saber / é remédio, é lenitivo / é um barco e é a arca / é gaveta e é arquivo / que lembra quem já morreu / e informa quem está vivo".
Nesta semana, o Rio está sediando a Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM). É um momento propício para declarar o Baú como lugar de memória do futebol e da expressão popular no Amazonas! Que se torne um centro de referência para historiadores, pesquisadores, jornalistas, estudantes e apaixonados pelo esporte! A Universidade Federal do Amazonas, cujo Laboratório de História da Imprensa gravou depoimento de Carlos Zamith, bem que poderia participar da construção do projeto.
Já faz algum tempo visitei Zamith em companhia do jornalista Jefferson Marques de Souza. Sua casa na Chapada havia sido alagada depois de uma chuvarada, quase comprometendo seus arquivos. Agora, a melhor forma de preservar seu acervo é zelar para que não fique submerso no esquecimento.

FONTE: Jornal Diário do Amazonas, 11.08.2013.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: ROCHA NETTO

 
Rocha Netto em novembro de 2000
 
 
Delphim Ferreira da Rocha Netto, carinhosamente conhecido como Rocha Netto, nasceu no dia 9 de junho de 1913, na cidade de Itu (SP), filho de Francisco Nazareth Rocha e Eufrosina de Mello Rocha.
Foi casado com a Sra. Yara Moreira Freire da Rocha, com quem teve três filhos: Weimar Freire da Rocha, José Carlos Freire da Rocha e Delfim Sérgio Freire da Rocha.
Foi para Piracicaba (SP) em 1919. Iniciou os primeiros passos na imprensa esportiva piracicabana em 1930, como colaborador do Jornal de Piracicaba. Em 1933, transferiu-se para São Paulo e tornou-se representante junto à imprensa paulistana da Associação Atlética Acadêmica “Luiz de Queiroz” e do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba.
Nesse período, divulgou o nome de Piracicaba nos principais jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em Piracicaba, foi correspondente dos veículos Diários Associados, Rádio Pan-Americana e A Gazeta Esportiva, além de redator da revista carioca Sport Ilustrado.
Escreveu dois livros sobre o alvinegro piracicabano, intitulados “A História do XV”, nos quais resgata a trajetória do clube desde a sua criação, no ano de 1913, até a década de 90.
Rocha Netto foi o maior propagador do XV de Novembro de Piracicaba. Possuidor do maior e mais completo arquivo esportivo, o qual contém cerca de 50 mil fotos, além de jornais, revistas , livros, reportagens e publicações nacionais e internacionais sobre futebol , onde o XV tinha espaço e destaque especial.
Em abril de 2002, Rocha Netto jornalista doou seu acervo à Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Considerado um dos mais completos sobre futebol brasileiro, o arquivo é fonte de pesquisa para estudantes, jornalistas, historiadores, esportistas e demais interessados.
Foi Presidente de Honra do Esporte Clube XV de Novembro e da Associação Atlética Acadêmica "Luiz de Queiroz", membro do Panathlon Club Piracicaba. Além de quinzista "roxo" era também são paulino.
Possuía uma invejável memória esportiva com dados estatísticos de jogos e gols memoráveis.
Possuía grande amor e dedicação pela Associação Atlética Acadêmica Luiz de Queiroz (AAALQ), como também da gloriosa Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) onde também era muito estimado e reconhecido, sendo anualmente homenageado pelos alunos nas formaturas da ESALQ.
Se tornou "Cidadão Piracicabano" em 1967.
Faleceu em Piracicaba no dia 23 de agosto de 2003, aos 90 anos de idade. Com sua figura humilde e simpática, Rocha Netto tornou-se referência nos meios esportivos, sendo um ícone do XV de Novembro de Piracicaba.
Após sua morte, recebeu mais duas homenagens.

A primeira, o “Prêmio Rocha Netto de Esporte”, criado pelo Decreto Legislativo 21/2004, de autoria do vereador João Manoel dos Santos (PTB), e que é promovido anualmente pela Câmara em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras, o Panathlon Club e a Acesep (Associação dos Clubes Sociais e Esportivos de Piracicaba). O prêmio é dividido em duas categorias, uma para o esporte individual e outra para o coletivo. O objetivo principal deste decreto é incentivar, reconhecer e valorizar os profissionais do esporte que trabalham na cidade de Piracicaba.
A segunda homenagem aconteceu no dia 24 de março de 2012, em uma solenidade que oficializou a denominação do “Parque de Esportes e Lazer Delphim Ferreira da Rocha Netto”, localizada entre os bairros Cecap/Eldorado. A propositura foi da ex-vereadora Aparecida Gregolin Abe, conforme lei nº 5.521/2004, por meio da iniciativa da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras (Selam)
Para conhecerem melhor Rocha Netto, eis alguns vídeos:

http://www.youtube.com/watch?v=EFWaSgODlRM

http://www.youtube.com/watch?v=YpUG98zlaIA

http://www.youtube.com/watch?v=Y133YCAqMjA

http://www.youtube.com/watch?v=tkwE3zodZp4

quinta-feira, 21 de março de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: Alfredo Sampaio

 
 
Alfredo de Sousa Sampaio nasceu em Quixadá (CE), no ano de 1926.
Foi um dos maiores pesquisadores da história do futebol nacional. Era um dos mais conceituados conhecedores do futebol cearense. Detinha um arquivo atualizado e organizado.
Por muitos anos seu arquivo serviu como fonte de pesquisa para jornalistas, radialistas, torcedores e curiosos em geral.
Foi em 1938 que o futebol nasceu para Alfredo Sampaio. Ouviu falar numa tal Copa do Mundo que se realizava na França, com a participação do Brasil. Quase não acompanhou nada desse certame pois em Quixadá, naquela época, só havia dois rádios: um na casa do Vigário e outro na residência de Antônio Onofre, um simpático português proprietário da Padaria Estrela do Norte.
Não precisa dizer que os rádios eram alimentados por baterias, pois a iluminação elétrica da cidade era só de 18 às 22 horas.
Ele ficava sabendo dos resultados no dia seguinte, através dos jornais que chegavam pelo trem da Rede de Viação Cearense. Mesmo assim, procurou entender e começou a anotar os resultados num caderninho, e cortando sempre as fotos dos jogadores que esporadicamente eram publicadas nos jornais Gazeta, Correio e O Povo.
Passou a identificar os nossos maiores ases, nunca imaginou que algum dia viesse a conhecer alguns deles.
Depois da Copa passou a anotar tudo sobre futebol, a ler tudo e a comprar qualquer publicação sobre o assunto. Acompanhava o campeonato cearense e anotava os jogos do Sitiá, o primeiro time que existiu em Quixadá. Sitiá é o nome de um pequeno rio que passa na cidade, afluente do famoso açude do Cedro.
Foi aí que nasceu seu arquivo esportivo. E, de 1938 até a data de sua morte (em 3 de janeiro de 2005), nunca parou de ler, colecionar e anotar as coisas do futebol brasileiro e cearense, em particular.
Na capital, Fortaleza, a partir de 1941, quanto tinha 15 anos, a coisa tornou-se mais fácil e depois que se tornou radialista, melhor ainda.
Em 1941 assistiu ao seu primeiro jogo, entre as seleções do Ceará e Rio Grande do Norte, pelo Campeonato Brasileiro.
A partir de 1943, entrou para o antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (hoje absorvido pelo INSS), mediante concurso.
Em 1945, ingressou no Vargas Filho Atlético Clube, cuja turma se reunia na praça da Escola Normal, próxima de onde morava. Aí entrou de corpo e alma no esporte: como um dos dirigentes do clube, fez do Vargas Filho uma de suas paixões. Gastava dinheiro do seu próprio bolso para sustentar o time. Tudo isso sem abandonar o arquivo.
Conheceu os grandes dirigentes do futebol cearense da época e a turma da imprensa. Em 1946 entrou, pela primeira vez, na sede da antiga Federação Cearense de Desportos, onde assistia às reuniões semanais, sem faltar aos jogos no Presidente Vargas. Queria saber de tudo, ver tudo e conhecer todos. No começo, subia uma escada muito íngreme e ficava em pé, no seu último degrau assistindo às reuniões. Aos poucos foi ficando conhecido até que mandaram ele entrar e ocupar uma das cadeiras vazias.
Alfredo participou de um programa que fez sucesso na radiofonia cearense, “O Céu é o Limite”, em que ele participava respondendo a perguntas sobre tudo que dizia respeito ao futebol. Estava bem e já caminhava para ganhar um grande prêmio em dinheiro, quando resolveu desistir para embolsar o que já havia garantido e assim colaborar ainda mais com o Vargas Filho.
Com pouco tempo, chegou à presidência do Vargas Filho, tendo levado o mesmo ao título da Segunda Divisão. Logo depois, foi eleito Secretário do Departamento Autônomo da Segunda Divisão. Encerrou sua colaboração junto à Federação no ano de 1956.
Nesse ambiente, sempre fez muitas amizades e entre elas estava o Afrânio Peixoto, um dos fundadores e dirigentes do 24 de Maio F. C., onde jogavam muitos amigos.
Afrânio já era do rádio e dirigia o Departamento Esportivo da pioneira Ceará Rádio Clube. No programa esportivo “Rádio Esportes Atlantic” havia uma seção semanal intitulada “Posta Restante”, que respondia as cartas enviadas pelos ouvintes, fazendo perguntas e indagações diversas sobre o futebol.
Como o Afrânio sabia da existência do arquivo de Alfredo, sempre levava algumas cartas com perguntas mais difíceis para que ele respondesse. Alfredo escrevia as respostas atrás dos envelopes e os devolvia.
Certo dia, Afrânio convidou Alfredo para trabalhar com ele, quando passaria a fazer o “Posta Restante” e mais outras matérias. Disse-lhe que por algum tempo ele não iria ganhar nada. Seria uma espécie de “estagiário”, mas que, posteriormente, dependendo do seu aproveitamento, passaria a receber uma gratificação, o que realmente aconteceu. Passou a ser funcionário da Rádio a partir de junho de 1954, por ocasião da Copa do Mundo na Suíça.
Na Ceará Rádio Clube Alfredo Sampaio se tornou o primeiro plantonista esportivo do rádio cearense.
E lá ficou até 1956, quando o mesmo Afrânio o levou para a Rádio Uirapuru, onde teve início um novo ciclo em sua vida no rádio esportivo de Fortaleza.
Em 13 de maio de 1959, fez parte da equipe da rádio que transmitiu o jogo Brasil 2 x 0 Inglaterra, diretamente do Maracanã. Fez às vezes de repórter de pista, dando as informações complementares, mesmo da cabine.
Na rádio Uirapuru trabalhou ao lado de Júlio Sales, Lúcio Sátiro, Cid Carvalho e outros. Quando passou a comandar o departamento de esportes da rádio, deu chances a muita gente de se iniciar no rádio. O programa “As Últimas do Esporte", apresentado por Júlio Sales, foi criação dele.
Foi Alfredo Sampaio que criou o slogan “A Casa do Esporte” para a rádio Uirapuru.
Com justificada razão, ganhou o epíteto de “Enciclopédia do Futebol Cearense”. Segundo depoimento dos próprios companheiros de profissão, Alfredo sabia tudo sobre o futebol cearense e brasileiro.
Convidado por Aécio de Borba fez parte da primeira diretoria da Confederação Brasileira de Futebol de Salão e para ali levou toda sua experiência de homem organizado, respeitado e sério. Sua sala era um primor, com tudo em seu devido lugar. Extremamente organizado.
Torcia pelo Fluminense, no Rio de Janeiro, e pelo Fortaleza, no Ceará. Chegou a participar de diretorias do tricolor cearense.

HOMENAGENS

No dia 24 de setembro de 2007, às 19:30 horas, no Plenário Fausto Arruda, da Câmara Municipal de Fortaleza, foi entregue (post mortem) a Medalha Ayrton Senna ao saudoso pesquisador, cronista a dirigente esportivo Alfredo Sampaio, tido como a enciclopédia do futebol cearense. Coube ao locutor Júlio Sales fazer a apresentação do homenageado e falar sobre o livro "O Futebol Cearense - Retalhos Históricos", de Alfredo Sampaio.
A homenagem foi requerida pelo vereador Guilherme Sampaio (PT), líder da prefeita de Fortaleza, Luizianne de Oliveira Lins.

No dia 13 de setembro de 2011, a Prefeitura de Fortaleza inaugurou três novos espaços no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza: a Sala de Imprensa, a Calçada dos Craques e a Tribuna de Imprensa. Esta última, recebeu o nome de Alfredo de Sousa Sampaio.

segunda-feira, 11 de março de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: GIVANILDO ALVES



O pesquisador, escritor e jornalista esportivo Givanildo Alves nasceu em Rio Largo, Alagoas, no dia 23 de abril de 1934, indo morar em Recife quando tinha 9 anos de idade.
Começou a carreira no jornal Última Hora, em 1962, integrando a equipe de Esportes comandada por Lula Carlos, saindo no ano seguinte para o Diário da Noite (vespertino da empresa Jornal do Commercio), onde viria a dividir com Francisco José e, posteriormente, o mesmo Lula Carlos, a coluna “Dois Toques”, de 1965 a 1972. Um escrevia o “Toque Um” e o outro o “Toque Dois”.
Tamém em 1962, integrou a equipe de esportes da Rádio Capibaribe.
Depois atuou na Rádio Jornal.
Em agosto de 1978, Givanildo lançou o livro “História do Futebol em Pernambuco”, sob o patrocínio do Departamento de Cultura do Estado, que a incluiu no seu Programa de Publicação de Obras de Interesse para a Cultura de Pernambuco.
A pesquisa de Givanildo não se limitou apenas aos arquivos dos clubes e da Federação, muito pobres, por sinal. Recorreu, principalmente, ao Arquivo Público Estadual, onde consultou de 1900 a 1950, página por página, coleções de jornais que circulavam na época, como A Província, A Notícia, Jornal Pequeno, Jornal do Recife, Folha da Manhã, Diário da Noite e os que ainda hoje circulam, a exemplo do Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Diário da Manhã, além dos primitivos estatutos do América, Náutico, Santa Cruz e Sport.
Pesquisou também publicações especializadas e não especializadas. Partiu para livros que falassem do Recife antigo. Para completar o trabalho, ouviu personagens contemporâneas de alguns fatos narrados no livro. Conversou com todos.
Até hoje o livro é obra de referência sobre o assunto.

 


Vinte anos depois, Givanildo Alves lançou a segunda edição do seu livro História do Futebol em Pernambuco, agora pela Editora Bagaço, com 288 páginas. Como era de se esperar, foi ampliada e revisada e agora contém mais informações sobre o futebol do Estado.
Sua última participação em rádio foi na Olinda, como comentarista do programa “Tribuna Tricolor”, atividade que dividia com a função de copy-desk do Diário de Pernambuco, para onde se transferiu em 1984. Nesse jornal, assinou também a coluna “Contra-Ataque”.
Contratado pela Federação Pernambucana de Futebol escreveu “85 Anos de Bola Rolando”, que teve prefácio do ministro Marcus Vinícius Vilaça e “orelha” do governador Jarbas Vasconcelos. Foi lançado em maio de 2000, uma edição “post-mortem”. O que era para ser festa pelo aniversário da Federação Pernambucana de Futebol, se transformou em profunda tristeza.
Quase na mesma semana em que entregou os originais do novo livro, Givanildo Alves faleceu. Carlos Alberto de Oliveira, então Presidente da Federação Pernambucana de Futebol, assim se referiu aos seus últimos momentos: “Serenava o seu rosto de alegria nas faces e brilho nos olhos pela consciência da tarefa concluída. É como se ele estivesse se despedindo do futebol pernambucano que tanto ajudou a consolidar”.
Givanildo faleceu às 17 horas do dia 4 de abril de 2000, no Hospital Português, vítima de câncer.

 

LEI Nº 16.641/2001

Ementa: Denominar-se-á Jornalista Givanildo Alves, a próxima artéria a ser inaugurada na Cidade do Recife.
O povo da Cidade do Recife, por seus representantes, decretou, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Denominar-se-á Jornalista Givanildo Alves, a próxima artéria a ser inaugurada na Cidade do Recife.
Art. 2º Esta Lei Entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
Recife, 16 de abril de 2001
JOÃO PAULO LIMA E SILVA
Prefeito da Cidade do Recife

A rua Jornalista Givanildo Alves está localizada no bairro de Afogados, na cidade de Recife.
 
Colaboração: Carlos Celso Cordeiro.

domingo, 3 de março de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: GERSON SABINO

 
 
Os amigos e colegas de redação que conheciam Gerson Sabino assim o definiam: excelente cronista esportivo e pesquisador do futebol, uma verdadeira “enciclopédia”, colecionador de fotos e de textos históricos do futebol, de memória assombrosa e coração do tamanho de um bonde.

 

Este era Gerson Tavares Sabino, que nasceu em Belo Horizonte (MG) em 12 de outubro de 1915, onde encantou-se pelo esporte mais querido dos brasileiros para desgosto dos pais, que queriam vê-lo estudar. Com jogo de cintura, Gerson satisfez a todos - foi goleiro do América Futebol Clube, sem deixar de lado a escola. Formou-se em Direito em 1939 pela Escola de Direito de Minas Gerais, hoje Universidade Federal de Minas Gerais.
Já na década de 1930 Gerson Sabino iniciou uma coleção de diversos documentos relacionados ao futebol.
Participou de todas as Copas do Mundo até o ano de sua morte, em 1998, tendo reunido vasto material referente a essa modalidade esportiva, cujo acervo tem um caráter particular e está sob responsabilidade de sua família.
Até a Copa de 1994, talvez tenha sido o jornalista brasileiro que mais vezes t
rabalhou na cobertura de todas as Copas do Mundo desde 1938. A
ssistiu todas as grandes feras do futebol jogarem. Foi correspondente de uma revista inglesa no Brasil e acumulou um volume tal de camisas de seleções e principalmente de times em número suficiente para presentear muitos de seus amigos.
Irmão mais velho do escritor Fernando Sabino, Gerson brincava carinhosamente com os irmãos, a esposa e os filhos dizendo que, apesar de sua paixão pela seleção brasileira, a família ainda era seu time preferido. Casado com Tereza Hardy Sabino, o jornalista teve seis filhos, 15 netos e três bisnetas.
Segundo seus familiares, Gerson respirava futebol e tudo na vida dele tinha que ter referência ao futebol. Gerson sempre dizia que só havia decorado a data do casamento da filha porque ela coincidia com o ano em que o Brasil foi tricampeão mundial, em 1970, no México.
Gerson Sabino gostava tanto do futebol como detestava aqueles que o dirigiam. Autor de uma frase que ficou famosa em Belo Horizonte: “No Brasil, todo mundo entende de futebol ... menos os cartolas”.
Sempre foi apreciado nos programas de rádio e televisão e em seus artigos nos jornais e revistas, pois motivava todos a gostar do futebol e da história de seus craques.
Até morrer, manteve o programa Gerson Sabino e o futebol nacional e internacional, que ia ao ar todos os domingos na Rádio América, em Belo Horizonte.
Com a seleção brasileira como alvo de sua grande paixão, Gerson muitas vezes teve que suar a camisa para acompanhar a equipe nos mundiais. Poucas vezes foi para as copas por algum jornal. Na maior parte das vezes, ele tinha que se virar, mas ele sempre dava um jeito de custear a viagem. E, de lá, sempre mandava artigos para o Brasil. A viagem para a França seria paga pelos filhos, genros e irmãos. Quando soube do presente, Gerson escreveu aos familiares uma carta emocionada de agradecimento, antevendo a copa que não chegaria a cobrir.
Gerson Sabino faleceu no dia 9 de abril de 1998, aos 82 anos, quando já estava de malas prontas para assistir em junho daquele ano ao Mundial da França, que seria a sua 14ª copa.
Um mês antes de morrer, Gerson esbanjava saúde, com fôlego para grandes caminhadas, um coração forte e a memória em dia. Uma súbita falta de ar colocou Gerson de cama e, depois de 21 dias de internação no Hospital Madre Tereza, não resistiu a uma pneumonia dupla.
O enterro do jornalista no cemitério do Bonfim foi acompanhado por comentaristas, técnicos e jogadores que tinham em Gerson Sabino um grande amigo e um ótimo conselheiro.

À esquerda, Gerson, de óculos e camisa escura; à direita, Pelé

De todas as seleções que viu atuar, Gerson Sabino não tinha dúvidas: a mais genial de todas era, para ele, a de 1970, que tinha como craques Pelé, Tostão e Rivelino. Um de seus grandes orgulhos, era ser amigo pessoal de Pelé.
Em 1971 foi apontado pela revista Placar como dono do maior arquivo existente no Brasil sobre futebol.
Em abril de 1996, a pedido dessa mesma revista, Gerson Sabino escalou o que considerava a sua Seleção Brasileira de Todos os Tempos:
Gilmar, Djalma Santos, Domingos da Guia, Bellini e Nilton Santos; Gerson e Didi; Garrincha, Zizinho, Pelé e Leônidas da Silva.
Dono de uma memória invejável, Gerson tinha um estoque de casos sobre as copas que lhe renderam até um prêmio de jornalismo por uma série de matérias escritas por ele e batizada de "Memórias das Copas", publicada em 1989 no jornal Hoje em Dia, da capital mineira.
Quando o goleiro Taffarel deixou o Atlético Mineiro após o fim da Copa do Mundo de 1998 e por uma identificação forte com a torcida atleticana, escreveu uma carta de despedida que foi publicada no jornal Estado de Minas em 12 de julho de 1998.
Numa parte do texto, ele dizia: “Gostaria de citar o nome de todos os amigos, de todas as pessoas que me deram força, de todos os torcedores que gritavam meu nome, de todos. Mas escolhi um que representa bem o verdadeiro mineiro, o tipo de amigo, fã que todo jogador gostaria de ter e que eu tive: Gerson Sabino (ele deixou Belo Horizonte antes de mim).
Apesar da paixão pelo futebol, Gerson Sabino contribuiu ainda para o desenvolvimento do basquete brasileiro. Em 1947, a seleção mineira de basquete ganhou seu primeiro título nacional e logo depois o título sulamericano, sob a direção de Gerson. Como treinador, Gerson Sabino sempre lançava mão de um jargão considerado por ele como um estímulo aos jogadores: "No fim, tudo dá certo. Se não der, é porque algo foi feito errado", dizia ele, antes de cada partida.
Foi diretor do Minas Tênis Clube, fundado em 15 de novembro de 1935, clube que ajudou a organizar praticamente sozinho. Já sexagenário, ainda jogava no gol nas peladas de futebol de salão.

O Instituto Gerson Sabino

O Instituto Gerson Sabino é uma entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo é incentivar todas as atividades educacionais e culturais ligadas ao universo lúdico. Sua ideia surgiu a partir da experiência acumulada ao longo de duas décadas de pesquisa de jogos, brinquedos e brincadeiras de todo o mundo, realizada constantemente pela loja Origem, de Belo Horizonte.
Motivados pela ampla repercussão de trabalhos culturais e educacionais relacionados aos seus produtos, a Origem achou que era chegada a hora de dar maior nitidez a uma vertente de trabalho diferente da comercialização de jogos e objetos lúdicos, e idealizou a criação de um instituto cultural e educativo que pudesse dar guarida formal a essas atividades, que surgiram de uma forma orgânica e a cada dia dão mais frutos.
Ao fazê-lo, o primeiro nome que emergiu foi o de Gerson Sabino, grande incentivador, apoiador, criador e concretizador de sonhos, a quem os idealizadores do Instituto devem um tributo de gratidão e reconhecimento. Como familiares e como admiradores do grande homem que foi Gerson Sabino, ficaram imbuídos da vontade de fazer multiplicar sua visão de mundo e ampliar a sua capacidade de contribuir para a educação e a cultura de nosso país. Este é o objetivo e a razão de ser deste Instituto.