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sábado, 15 de junho de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Márcio Almeida



01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Marcio Silva de Almeida, Marcio Almeida, nasci no Gama/DF aos 06/05/1969.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Desde a adolescência juntei material. Fui colecionador de figurinhas, joguei bola, futebol de mesa, mas minha vida como pesquisador somente teve início em 2009.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou servidor público e trabalho na Justiça. Como o Direito é muito amplo e sou bacharel em Direito fiz pós-graduação em Direito Desportivo, embora meu dia a dia não seja esse, pois atuo na área da Justiça Infanto-Juvenil. Trabalho a 15 anos no atual emprego e anteriormente trabalhei no Banco Bradesco e Banco do Brasil.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Sempre quis comprar um livro sobre o futebol de Brasília e nunca encontrei algum nas livrarias ou nas bancas. Com muito custo fiquei sabendo que tinham alguns livros publicados pelo jornalista Gustavo Mariani, mas com edições esgotadas, foi então que resolvi a começar a pesquisar e a encontrar outros pesquisadores.
Com certeza, um dos incentivadores foi José Ricardo Almeida que me relatou um pouco daquilo que ele já tinha encontrado.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
Sem dúvida foi conhecer pessoas e histórias que eu nunca tinha imaginado que poderia existir. Como consequência, fiquei sabendo como a população do Distrito Federal surgiu e cresceu, passei a conhecer as raízes do povo candango e parte da história da nação brasileira com os relatos de quem fez parte da história.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Para mim as pesquisas são fonte de cultura, é impossível folhear um jornal antigo e não dar uma olhada nas notícias políticas, econômicas e sociais e compreender um pouco de cada época.
Esse trabalho no início era um hobby, mas a partir dele muitos convites vieram, hoje sou cronista esportivo registrado na associação do DF, colunista em site de esporte, por isso, virou um segundo trabalho também.
Não posso determinar quanto tempo fico pesquisando, pois quando a gente faz algo por prazer o que importar é chegar ao final do trabalho não se importando quando tempo, é como perguntasse à uma criança quanto ela ficou saboreando um sorvete ao invés de perguntar se ela gostou ou não do sabor.
Minha família sabe o quanto gosto do que faço, por isso, me apoia e porque sempre incluo ela, de alguma forma, na tarefa e ela passa a ser partícipe da obra.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Encontrar pessoas que só conhecia pela imprensa e poder participar de alguma forma da vida delas foram as grandes alegrias, mas em saber como que nossa sociedade não guarda e não preserva sua própria história é muito triste.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
De 2009, quando começou, até agora, talvez por por sorte ou por intuição, só pesquisei coisas que classifico como inesquecíveis.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Como ainda não fiz nenhuma pesquisa decepcionante, espero não encontrar uma dessas no futuro.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Como todos sabem, em toda minha pesquisa procuro encontrar o personagem ou algum parente dele para saber se os fatos relatados foram condizentes com a realidade. Na minha primeira ida ao IHGDF (Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal) fui atendido por uma professora que me atendeu e falei que queria algo sobre a cidade do Gama, pois estava pesquisando sobre o time de futebol de lá, ela ficou surpresa e disse que o pai dela tinha sido técnico do time. Quando ela me falou o primeiro nome dele e eu imediatamente completei, ela ficou muito surpresa. Finalmente tinha encontrado um dos fundadores da Sociedade Esportiva do Gama e técnico da equipe alviverde.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
São tão poucos que não chegamos a ter contato frequente, mas independente de quem seja o fato de alguém rabiscar, rasgar ou extraviar uma fonte de pesquisa que pode servir para outra pessoa no futuro é motivo de raiva.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Biblioteca da Câmara dos Deputados, IHGDF e Arquivo Público do DF.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
O acervo dos jogadores gamenses Santana, Fantato e Manoel Ferreira e do goleiro Gaguinho do Rabello.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
A maior qualidade e o maior defeito é a persistência, pois o pesquisador quer encontrar a qualquer custo, e às vezes está tão afoito que incomoda algumas pessoas várias vezes. Peço desculpas a alguns entrevistados, pois preciso extrair deles o maior número de informações possíveis para que o trabalho seja bem feito e nem sempre o entrevistado está disponível ou se lembra do fato ocorrido.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?
Se organizar e se manter informado sobre o assunto a ser pesquisado.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Meu time é a Sociedade Esportiva do Gama pelo qual iniciei pesquisando a história e, apesar de serem poucos pesquisadores, sempre que posso recorro a eles sobre algum detalhe que eu não saiba. Pesquisa é um trabalho interativo, então troca de informações com os colegas é imprescindível, uma razão a mais de se ter e fazer novos amigos.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Que as próprias agremiações esportivas e a Federação Brasiliense de Futebol passe a apoiar ativamente esse tipo de trabalho, pois a recepção pelo público esportivo é muito grande e evita que a história do futebol local se perca. Acho interessante o encontro regular do grupo de pesquisadores, mas entendo que alguns tenham limitação de tempo pois exercem outra profissão além de pesquisador.



18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Em 2009, publiquei o DVD “Escrete 79: os bastidores de uma conquista”, contando como a Sociedade Esportiva do Gama conquistou seu primeiro título candango; em 2011, apresentei como trabalho de especialização em Direito Esportivo a monografia “O Estádio Bezerrão à luz do Estatuto do Torcedor”; em 2012, lancei o DVD “Coenge Futebol Clube - campeão brasiliense de 1969: a história do Leão do Gama, recentemente apresentei a monografia “Memorial Gamense –preservando a história do futebol na cidade do Gama” como trabalho de especialização em História Cultural do Brasil e lançarei os livros “Gaminha – 50 anos de tradição e conquista”, “50 anos de Futebol Amador na cidade do Gama” e um outro, em parceria com o pesquisador José Ricardo Almeida, “Rabello Futebol Clube: tetracampeão do Distrito Federal: o papa-títulos de Brasília na década de 60”.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Criei o site Memorial Gamense voltado a divulgar minhas pesquisas sobre o futebol amador e profissional na cidade do Gama, assim como todo o acervo que tenho sobre o tema.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Lançar os livros que estão na fase de acabamento e em 2015 lançar um livro contando a história da Sociedade Esportiva do Gama.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
No brasil admiro bastante Celso Unzelte e Paulo Vinícius Coelho do ESPN e aqui em Brasília fui inspirado nos trabalhos de Gustavo Mariani e José Ricardo Almeida. Para mim, são pessoas os melhores na área esportiva, além de apreciar bastante as pesquisas de Paulo Bertran e Adirson Vasconcelos sobre a história do Distrito Federal.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Arrumar um lugar onde o público tenha acesso ao material pesquisado e possa conhecer a nossa história esportiva.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Na minha opinião, espaços como este devem ser elogiados, pois aqui será um ponto de encontro virtual para todos aqueles que pesquisem possam saber o que os outros pesquisadores estão fazendo ou pretendem fazer e, quem saber, poder colaborar com o colega. Ótima iniciativa.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: José Jorge Farah Neto



 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
José Jorge Farah Neto, mais conhecido como Jorge Farah, nascido em São Paulo Capital, no bairro do Ipiranga, tenho 55 anos, sou de 1957.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Junto material de futebol desde que me entendo por gente, já de há muito tempo, porém minha grande paixão sempre foram jogos de botões e escudos de futebol.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou jornalista e gestor desportivo (administrador), sempre atuei na área de administração, porém desde 1995 me dedico mais a fundo as pesquisas de futebol, foi quando resolvi escrever um livro e iniciei o trabalho.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Eu mesmo e a proximidade que tinha do futebol, por meu pai ser dirigente esportivo há muito tempo, além da paixão que eu tenho pelo futebol.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
O prazer de descobrir novos e velhos clubes que tem poucas informações. Hoje é muito fácil com o advento da internet, sou do tempo que ir a bibliotecas era fantástico, hoje está muito fácil.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Pesquisar é um prazer e também um hobby. Hoje devido a alguns problemas de ordem pessoal eu pesquiso pouco, perto do que já fiz na vida, ia muito às bibliotecas, porém, hoje prefiro procurar pessoas que possam me dar informações novas e diferentes daquelas que livros e jornais nos apresentam.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Maior alegria foi ver meu primeiro Almanaque pronto e vivo. Tristezas, poucas, tão poucas que nem me lembro.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
O Almanaque do Futebol Paulista em todas as suas cinco edições.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Francamente não tenho.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Quando viajei pelo interior do estado de São Paulo, para conseguir dados nunca descobertos sobre equipes da nossa “hinterlandia” foi uma alegria conhecer pessoas que nunca pensei que existissem, colecionadores das mais incríveis, coisas de futebol, informações fantásticas, além de conhecer muito do nosso rico interior. Um fato que eu diria pitoresco foi em uma cidade aonde entramos em uma fazenda e quase fomos presos, pois a segurança interna nos proibiu de fotografar e queriam inclusive pegar nossas máquinas. Estou falando do ano de 2000 não de 1960. Calcule vocês estar dentro de um local fotografando de repente os seguranças pedem que você saia e deixe o filme de sua câmera fotográfica, ridículo, mas no fim deu tudo certo e as fotos estão comigo ate hoje, não vou citar a cidade nem o local para evitar problemas rsrsrs.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Copiar infelizmente muitos copiam tudo que veem dos outros, detesto isto, quer a informação vá buscar, seja ético, isto me irrita muito.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Diversos, bibliotecas, arquivos de jornais, o arquivo da Gazeta Esportiva estava muito bom quando estive lá, do Estadão, e outros que nem me lembro o nome agora.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
O arquivo particular do saudoso querido amigo Delphim da Rocha Neto, fantástico tive tudo aquilo em minhas mãos e ainda ouvi dele que se não tivesse já doado a Universidade de Piracicaba teria doado a mim, nossa me senti orgulhosíssimo.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
Gostar do que faz é fundamental, fazer por fazer é terrível, aprecio muito aqueles que buscam sempre estes tem valor demais.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?
Não tenha medo de perguntar, ponto número um. Pense muito antes de questionar alguém e pesquise sempre antes de se aprofundar em questionamentos. Não fale de assuntos que não domina ou não tente mostrar que sabe mais que a pessoa que entrevista, seja humilde para ouvir, discuta quando tem certeza do assunto. Seja você mesmo.


16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
O meu time do coração é o Guarani Futebol Clube, fazer o que né! Em 1964, fui assistir Guarani x Santos, no Brinco de Ouro da Princesa, com meu pai. Fui ver o Santos de Pelé, a equipe do Santos havia voltado de uma excursão naquela manhã e pediu para adiar a partida mas, sabe como é, lógico que a diretoria da equipe do Guarani não aceitou. E fomos para o jogo. Resultado final: Guarani 5 x 1 Santos, com Pelé e tudo, adivinha o que o garotinho de 7 anos fez: começou uma paixão que dura até hoje pelo Bugre, sofro mas amo meu time. Já fiz algumas pesquisas sim, e procuro auxiliar aqueles que pesquisam sobre ele, tenho excelente relacionamento com a maioria deles.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Tem muito ainda a se descobrir sobre o futebol paulista principalmente a fase de amadorismo. Seria ótimo que nos reuníssemos e trocássemos informações com maior frequência, tenho muito ainda a descobrir e garanto que não vou parar.

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Como já disse antes, criei e escrevi como coautor cinco edições do Almanaque do Futebol Paulista, tido como referência do futebol paulista. Tenho diversos trabalhos, porém, sem patrocínio infelizmente fica difícil publicar.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Participo, dentro do possível, do RSSSF, Blog História do Futebol e principalmente sou editor do site de futebol de mesa
www.futeboldemesanews.com.br além de também editar o site da Federação Paulista de Futebol de Mesa o www.futmesa.com.br pois sou presidente da Federação desde 2007.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Continuar a pesquisar futebol sempre e também a pesquisa sobre o futebol de mesa que muito me agrada.

21. Em sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Delphim da Rocha Neto, inigualável.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Pretendo ainda terminar as pesquisas sobre a história do futebol de mesa, que merece todo o nosso interesse por ser um esporte brasileiro.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
José Ricardo dispensa comentários. É um apaixonado por pesquisa e um grande amigo, e além do que um botonista. Sou apaixonado por tudo que ele escreve, e procuro sempre ler suas matérias, seu blog é atual e principalmente informativo.

CONTATOS COM O JORGE FARAH:
e-mail – zefarah@uol.com.br ou futmesa@futmesa.com.br ou king@futeboldemesanews.com.br
Telefones – 11 98579-5777




terça-feira, 7 de maio de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: JÚLIO CÉSAR GOMES DE OLIVEIRA


 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Sou Júlio César Gomes de Oliveira, nasci em 15 de julho de 1973, em Maceió, no Estado de Alagoas, mas sou filho adotivo de Campina Grande e da Paraíba!

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Em 1990 dei início às minhas aquisições. No princípio, apenas por hobby e pelo futebol de mesa. Meu pontapé foi com a tradicional Revista Placar, porém meu foco era sempre as revistas especiais. Permaneci fiel à publicação até por volta de 1998. O motivo para o abandono foi simples: percebi que havia pouca coisa sobre o futebol nordestino e praticamente nada sobre o futebol paraibano. Atualmente ainda adquiro os exemplares especiais, mas já não dou tanta ênfase como antes. Nada contra, mas quando você amadurece um pouco você fica mais seletivo para as coisas de sua região!

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Atualmente sou autônomo, cedendo meus serviços, experiência e consultoria em jornalismo e na área de designer de impressos para empresas. E minha profissão tem de certa maneira algo relacionada às pesquisas sobre futebol, afinal, poucos são os jornalistas que não tem interesse num bom papo de bola. Na autonomia estou a pouco mais de um ano e antes exerci por 11 anos várias funções dentro do jornalismo impresso. Trabalhei o extinto Diário da Borborema e por lá, devido a estrutura do jornal, você necessitava ser “plurifuncional”.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Na verdade, a iniciativa partiu de uma necessidade que percebi durante a época que cursava jornalismo. Fui fazer uma matéria sobre futebol local e percebi uma falta completa de informações precisas. Havia muita história sem nexo e pouca gente sabia algo sobre o futebol paraibano. Existiam muitas contradições e material literário muito escasso. Aquilo atiçou minha curiosidade e como eu já estava um pouco rebelado quando ao futebol do eixo sul/sudeste, acabei indo mais além, isto por volta de 1998. Mas foi somente em 2001 que foquei no futebol da Paraíba!

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
A descoberta! Não existe satisfação maior para um pesquisador de futebol do que encontrar algo que contradiz uma verdade dita, ou, desconstrói uma realidade dada como certa. Sinto-me como um arqueólogo encontrando uma peça rara, ou um aventureiro que encontra um tesouro perdido. Isto é o que instiga a avançar e não parar no caminho!

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Para mim as pesquisas representam uma oportunidade de esclarecer fatos que infelizmente foram esquecidos com o passar dos anos. Tenho grandes colegas historiadores de formação acadêmica e por eles tenho um grande respeito. Sou reconhecedor de graduações e por isto não gosto muito de ser taxado de historiador, prefiro me considerar um curioso de história. Pesquisar é muito mais um hobby e talvez por isto, não me sinta obrigado a seguir a rigidez que a pesquisa em história necessita. Acho que desta forma, tudo flui bem.
Nestes dias, dei uma pausa nas pesquisas para me centrar mais no trabalho extracampo, mas quando o tempo me permite chego a me dedicar 15 horas por semana.
Um bom pesquisador é na verdade uma grande traça ambulante, bibliotecas são parte obrigatória do roteiro e meus familiares me apoiam e isto é que me dar mais incentivo, pois para mim, já há um ambiente positivo para isto. Às vezes, há reclamações quanto aos gastos financeiros, mas, faz parte!  


07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Olha, a maior alegria é com certeza quando você encerra um ciclo de pesquisas, principalmente se aquele ciclo for bastante trabalhoso. Tristeza é quando você esbarra em algo que literalmente para sua caminhada por falta de fontes. Decepção é quando não há compreensão a cerca do que você está fazendo, há muita gente que acredita que você vai enriquecer com isto, ou simplesmente atrapalham seu trajeto por pura vaidade. Infelizmente é o ser humano!

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
Não há comigo uma específica, para mim todas são inesquecíveis. É claro que as que mais marcam são sempre aquelas que elucidam algum fato, exterminando mitos e estabelecendo a razão histórica!

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Nossa, cheguei a ficar quatro anos parado numa tabela por falta de 2 resultados. Busquei todas as fontes e nada. Isto me chateava bastante, afinal, daquela década restavam apenas esses dois resultados para fechar o ciclo. Meu dilema chegou ao fim por puro acaso quando estava lendo uma revista de variedades dos anos 30 que não tinha nada a ver com futebol. Peguei a revista apenas por curiosidade, pois falava da passagem do Zeppelin sobre a Paraíba e quis ler. Páginas a diante... Surpresa! Uma ampla matéria sobre o campeão daquela temporada. Foram as três páginas mais lindas que já vi numa revista (risos), pois trazia não somente tudo sobre o campeão, mas, os resultados do campeonato inteiro. Não me contive e mesmo num setor silencioso escapou de mim um uuuuuhhuuuu!

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Uma vez entrei numa biblioteca e lá existia um mito sobre um fantasma de um vigilante que morreu há anos. O setor era bastante evitado porque o ambiente era coisa de filme de terror mesmo (risos). Estava lá pesquisando e no mesmo setor havia uma moça. A história sobre o fantasma era bastante conhecida no local, tanto que a própria moça me falava sobre isto, enquanto dividia a pesquisa comigo.
Dada certa hora, do nada um livro caiu sozinho da estante. Foi um baita susto. Minutos depois caiu outro, depois mais um. Neste momento a moça já estava tensa. A queda do quarto livro foi a gota d’água para ela que encerrou a pesquisa e, desconfiada, saiu do setor. Era notável o medo nos seus olhos. Quando o quinto livro caiu, aí foi minha vez de questionar o fantasma e ver o que era aquilo.
Nada demais, o vento entrava pela janela, batia num grande livro grosso que tinha na estante e canalizava o vento para o setor dos livros mais finos. Bastou tirar o livro grosso que desviava o vento para o fantasma ir embora (risos).

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Todo bom pesquisador sabe que o que tira do sério é quando você necessita do apoio de outro para fechar algum detalhe de sua pesquisa e logo de cara vem um não expressivo e em seguida um isolamento, como se você fosse uma ameaça ou um vírus contagioso. Isto é bastante comum e até certo ponto compreensível. Afinal o cara dedica anos na labuta, num esforço tremendo e de repente alguém chega só querendo o resultado. Essa fase de entender essa atitude eu já parei de questionar, hoje vejo da seguinte maneira, se aquela informação não vai interferir no andamento do seu foco de pesquisa, aí sim, não há problema em ceder informações, mesmo porque o ditado é antigo; uma mão lava a outra.
Mas, se realmente aquele dado for interferir no que você pretende fazer, aí cabe sim uma pausa compreensiva de quem precisou de sua ajuda.
Tenho um caso aqui mesmo de alguém que pesquisa um clube de futebol paraibano, cedi alguns dados meus para auxiliar na pesquisa e quando foi minha vez de solicitar apoio para esclarecer um fato para a minha, recebi um silêncio como resposta. Uma pena!

 
12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Aqui na Paraíba o único que achei organizado foi o arquivo do extinto Diário da Borborema, onde às vezes eu me fazia de arquivista e exigia que o setor fosse adequado ao que cobra as normas de arquivos e bibliotecas. Depois que o DB fechou, os menos “desmantelados” são o do Instituto Histórico da Paraíba e a Biblioteca Átila Almeida da Universidade Estadual. Todos os outros acervos necessitam de amparo urgente.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
Conheci o acervo de um senhor chamado Severino Ramos, numa cidade que jamais pensei que tivesse possibilidade de ter algo assim, que é Areial, uns 30 km de distância de Campina Grande. Era um senhor super reservado e até mesmo na cidade poucos conheciam ele. Mas, fiquei surpreso, pois seu acervo tinha uma boa coleção de jornais Correio da Manhã da década de 30, revistas antigas, livros e fotos dos lugares onde ele fez turismo. Havia com ele postais internacionais e numa pequena sala quase um museu, antiguidades da década de 40. Vivia só, muito recluso. Visitei o acervo umas quatro vezes em 2009 apenas com caderno e lápis. Depois perdi contato. Em 2012, quando retornei com uma câmera digital, soube que ele tinha falecido há dois anos e ninguém soube informar aonde foi parar o acervo dele. Apenas me disseram que uma neta veio e levou tudo para o Rio de Janeiro. Ninguém soube informar para que parte do Rio, nem mesmo o proprietário da casa, que era alugada, sabia para onde ela levou tudo!

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
A maior qualidade é a insistência; a pior é a arrogância e o egoísmo, infelizmente isto existe!

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?

Sou um defensor nato da criação de uma confraria de pesquisadores, como jornalista aprendi a trabalhar em equipe e sei o que isto significa quanto ao andamento e sucesso de qualquer empreendimento. Sei que é complicado juntar um quebra-cabeça assim, creio que muitos até tentaram. Mas talvez o que impeça a união seja justamente essa relação “divulgar ou não divulgar” dados. 80% dos pesquisadores que conheço são super “reservados” em relação a seus dados. Grande parte quer publicar seu livro e seu trabalho, alguns parecem até que disputam uma corrida para ver quem sair na frente. Só que cada pesquisa tem sua característica. Às vezes há um cidadão que fala da história do Fulano Futebol Clube e acha que não pode haver outro que fale também. Ora, será que o Fulano Futebol Clube não tem outras histórias para contar que ele não saiba?

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Entregar a “rapadura” não é comigo (risos). Gosto quando todo mundo aqui fica na dúvida quanto ao meu time local. Há quem me atribua ser torcedor do Treze, outros do Campinense. Fato é que já fiz material para as duas equipes com empenho e dedicação semelhante. Quem me visitar vai ver material das duas equipes na minha casa. Quando há jogo de importância histórica para ambos, sempre vou, independente das cores. Prefiro dizer que sou CSA alagoano, porque acho as cores azul e branco bonitas.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Na Paraíba conheço atualmente onze pessoas que estão dedicadas a suas pesquisas de futebol. Desse total, creio que apenas quatro comungam o mesmo pensamento de formarem um clube de pesquisa. Os demais preferem caminhar sozinhos e pouco se interessam em interagir. O lado positivo desta história é que os quatro que andam trocando dados estão mais perto de publicar suas obras que os demais. Vejo isto como um reflexo quanto ao poder da união. Não tenho vergonha de dividir a publicação de uma obra com alguém, pelo contrario é um mérito.
Já imaginou uma obra do tipo Formação do futebol candango, por José Ricardo e J. César, ou Torneios do Futebol Brasileiro, por Julio Diogo e Mario Vinicius?

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Já publiquei varias matérias históricas sobre futebol no extinto Diário da Borborema. Inclusive já fui editor de suplementos sobre futebol paraibano. Também fui editor por dois anos da revista do Guia do Campeonato Paraibano e de um site local. Atualmente estou finalizando um livro sobre o campeonato com previsão de lançamento para 2014!
Nesta área de publicação tenho um bom conhecimento e sei exatamente o que é possível ou não de publicar e seus custos e onde obter opções de publicar!

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Me afastei um pouco da internet, mas auxilio um colega com uma coluna no site
www.pbesportes.net, um site simples mais com boa audiência na cidade!


20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Projetos estão sempre fluindo na minha mente, trabalho com isto na parte que é voltada ao designer de impressos. Momentaneamente estou elaborando projetos gráficos de duas publicações, uma para a Paraíba e outra para o Rio Grande do Norte, ambas revistas. Pessoalmente, apenas o livro que pretendo lançar está na prioridade, mas, sempre do nada aparece algo que antecipa o livro, em geral através de revistas ou encartes!

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
No Brasil há e houve grandes pesquisadores de futebol. Atualmente acho o Celso Unzelte uma boa referência na mídia. O Veríssimo também traz muito do futebol gaúcho. Mas, há aqueles que ficaram esquecidos, o Tomaz Mazzoni é um desses. Se não fosse por ele muita coisa do futebol sul/sudeste estaria perdido!

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
O sonho de todo pesquisador é converter seus conhecimentos em livro, ainda não realizei isto!

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Acredito que o recado já foi dado e ele passa pela união de forças. Acredito que se realmente existir a formação de um time que objetive não somente se auxiliar, mas, promover publicações, vamos dar um passo ativo para a concretização de vários projetos que inúmeros pesquisadores tem. Sobre o blog não haveria iniciativa mais louvável, até mesmo para fomentar essa necessidade de interação entre os pesquisadores. Acho que está mais do que na hora de parar um pouco com as vaidades e começar a articular algo sério, mesmo que esse seja na base do “engatinhando”. Por incrível que possa parecer é possível reunir pesquisadores com um objetivo comum. Não é fácil, também se fosse fácil não seria algo que caracterizasse nosso perfil, afinal qual é o pesquisador que às vezes não complica (risos). Obrigado José Ricardo pelo espaço e não pare, o blog pode ser um bom começo para a confraria das traças.

domingo, 28 de abril de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Sérgio Santos

 
 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Meu nome é Sérgio da Silva Santos (Sérgio Santos), nasci em Brasília-DF, no dia 09 de agosto de 1975.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Comecei a guardar material sobre futebol com 11 anos de idade. Anotava as escalações das partidas no jornal GAZETA ESPORTIVA e depois conheci a revista PLACAR, edição dos Campeões de 1986 e o Tabelão. Fiquei fascinado com tanto resultado de jogo (risos). Passei a desenvolver pesquisas em 1990, quando passei a ler todos os anos o Guia do Campeonato Brasileiro. Vendo os retrospectos históricos entre os clubes, comecei a montar os resultados, daí peguei gosto pelo negócio e não parei mais.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Trabalho na área de vendas e o que faço não tem nada a ver com futebol. Anteriormente trabalhava no ramo de combustíveis.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
A culpa é da PLACAR (risos). Como disse anteriormente, foi em 1986.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
A maior satisfação que uma pesquisa já me proporcionou foi recentemente, quando fiz o levantamento dos jogos da carreira de um atleta que está em atividade aqui em Mato Grosso. No dia 23 de fevereiro ele completou 350 partidas disputados por clubes em Mato Grosso, desde 1996. Ver a repercussão que gerou me causou uma alegria muito grande e fiquei motivado a fazer de outros atletas.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apóia você?
As pesquisas para mim representam algo muito importante. Pena que em nosso país é considerado como hobby. Hoje em dia não me dedico quase nada a fazer pesquisas, devido à falta de tempo, até mesmo porque moro num estado onde os locais para pesquisas são escassos, tendo apenas o Arquivo Público para se visitar. Minha família é neutra em relação a isso.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
A minha maior alegria como pesquisador foi quando, em 1999, encontrei um monte de súmulas de futebol das décadas de 40, 50 e 60, atas de reuniões etc e consegui levar um pouco pra casa. A minha maior decepção foi quando, alguns anos depois, retornei ao local para ver se conseguia o restante. Aí já não estavam mais lá e ninguém sabe do paradeiro até hoje. Só de lembrar me causa arrepio.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
Todas as pesquisas são inesquecíveis pra mim. Quando você pega um jornal e acha a informação que procura, solta aquele grito de alegria por dentro e a satisfação por ter conseguido.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
A pior pesquisa, não somente pra mim, mas acho que pra todos que pesquisam é aquela a qual não se obtém a informação procurada. Daí não gosto de ficar lembrando, pois me causa frustração por não ter completado o trabalho.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Diria três fatos pitorescos. A primeira foi em 1990, na biblioteca da escola onde eu estudava. Achei um Almanaque Abril da década de 70. Folheando ele, achei umas páginas de esporte com todos os resultados das Copas do Mundo e Copa América da história. Não pensei duas vezes. Destaquei e coloquei dentro do meu caderno. A segunda foi em 1994. Eu achei um livro com muita informação sobre a história da Seleção na Copa América. Eu peguei o livro e levei pra casa, escondido (risos). A terceira e última foi pesquisar no cemitério (risos). Estava fazendo um levantamento de ex-jogadores daqui de Cuiabá, aí como muitos já se foram e sei o nome completo de muitos, num dia de finados fui pesquisar a data de nascimento nos jazigos. Por incrível que pareça encontrei alguns (risos).

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Aqui em Cuiabá quase não tenho contato com pesquisadores. Mas percebo que os poucos que tem são muito egoístas, pois não gostam de divulgar as informações que possuem em seus acervos. Uma vez entrei em contato com um, ele foi muito mal educado comigo.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
O local mais organizado que já visitei foi o Arquivo Público de Cuiabá. Lá ficam todos os jornais antigos e de fácil acesso, com funcionários que atendem bem.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
Ainda não tive o privilégio de conhecer nenhum arquivo particular.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
Como pesquisador que sou, digo que as maiores qualidades são a persistência e a vontade de concluir um trabalho de pesquisa. Os defeitos, deixo para aqueles que não são pesquisadores falarem.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?

A sugestão que dou é criar uma espécie de banco de dados em nosso país para ser alimentado pelos pesquisadores, juntamente com as fontes, para que futuros pesquisadores não encontrem as dificuldades que os pesquisadores dos quatro cantos do Brasil têm.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Meu time de coração é o São Paulo Futebol Clube, desde 1985. Já quis pesquisar sobre o clube, mas a minha prioridade é procurar coisas relacionadas ao meu Estado, Mato Grosso. Não mantenho contato com pesquisadores a respeito do time que torço.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Não mantenho expectativas com relação às pesquisas no meu Estado devido à falta de interesse pela história do futebol. Gostaria que houvesse uma confraternização com os pesquisadores de todo o Brasil.

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Já fiz um trabalho de monografia, em 2008, num concurso denominado escreva A HISTÓRIA DO FUTEBOL MATOGROSSENSE. Tenho vontade de fazer um livro contando a história do futebol de Mato Grosso.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Participo do blog: http://arquivosdofutebolbrasileiro.blogspot.com.br/  ARQUIVOS DO FUTEBOL BRASILEIRO e http://www.facebook.com/pages/Futebol-Cuiabano/391010047654392 FUTEBOL CUIABANO

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
O meu projeto para o futuro é publicar um livro contando toda a história do futebol de Mato Grosso.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Na minha opinião o maior pesquisador da história é aquele que publicou aquele livro que você tanto queria ler. Eu particularmente me fascinei com o Caminho da Bola, com todas as fichas técnicas da história do Campeonato Paulista. Com os Almanaques dos clubes que foram publicados. E todos aqueles relacionados às estatísticas entre clubes.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Conseguir reunir todas as fichas técnicas da história dos campeonatos de Mato Grosso, desde 1936.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Parabéns pela iniciativa de reunir todos os pesquisadores. Espero que seja o inicio de uma revolução para que num futuro próximo todas as informações possíveis sobre futebol sejam divulgadas e dada a devida importância na história do nosso país.

terça-feira, 23 de abril de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO DA SEGUNDA DIVISÃO DE 1971


O amigo pesquisador Rodolfo Stella vem fazendo um trabalho digno de “Loucos Por Futebol”, ou seja, tentar conseguir as fichas técnicas (súmulas) de todos os jogos do Campeonato Brasileiro das Séries B, C e D, ou, como preferirem, segunda, terceira e quarta divisões.
Para completar a Segunda Divisão de 1971 faltam os jogos abaixo relacionados.
Caso algum amigo pesquisador possa ajudar, mande e-mail para o Rodolfo:

rpstella@ig.com.br

Ou para o e-mail constante no alto da página:

jrca1957@gmail.com

Os jogos são os seguintes:

12.09.1971
CAMPINENSE 1 x 0 ABC
17.10.1971
CAMPINENSE 2 x 1 FERROVIÁRIO-CE
20.10.1971
FERROVIÁRIO-CE 2 x 0 CAMPINENSE
29.08.1971
MARANHÃO 0 x 2 SAMPAIO CORRÊA
05.09.1971
FLAMENGO (PI) 2 x 2 GUARANY
08.09.1971
FLAMENGO (PI) 1 x 0 SAMPAIO CORRÊA
12.09.1971
RIVER 1 x 0 GUARANY
19.09.1971
GUARANY 3 x 2 SAMPAIO CORRÊA
26.09.1971
SAMPAIO CORRÊA 5 x 0 MARANHÃO
03.10.1971
GUARANY 0 x 1 FLAMENGO (PI)
06.10.1971
FLAMENGO (PI) 3 x 1 MARANHÃO
10.10.1971
RIVER 2 x 3 SAMPAIO CORRÊA
17.10.1971
GUARANY 0 x 3 RIVER
14.11.1971
FLAMENGO-PI 0 x 0 FERROVIÁRIO-CE
21.11.1971
ITABAIANA 5 x 1 FLAMENGO-PI

Lembrando que a súmula deverá conter os seguintes dados:

JOGO
DATA
LOCAL
ÁRBITRO
PÚBLICO E RENDA
EXPULSÕES
GOLS (de preferência, com os tempos)
ESCALAÇÕES DAS DUAS EQUIPES

AVISO

Estivemos fora de Brasília (viajei para Salvador-BA) de quinta-feira, 18 de abril, a segunda-feira, 22 de abril.
Estamos de volta, esperando continuar contando com a colaboração dos amigos pesquisadores em fornecer matérias para o blog.
Abraço a todos.
José Ricardo

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ESPORTE MODERNO: MEMÓRIA E HISTÓRIA


A seguir, divulgamos um texto que tem como objetivo destacar a pesquisa histórica como uma possibilidade de narrar e analisar o esporte moderno. Para tanto analisa a relação entre memória e história bem como a vinculação deste fenômeno cultural com a tradição e com o espetáculo. Por fim, elenca uma série de "locais da memória" existentes no Brasil cujos acervos traduzem-se em importantes fontes de consulta e pesquisa.
Esclarecemos que alguns endereços podem estar desatualizados tendo em vista que o texto foi publicado na Revista Digital n° 77, de outubro de 2004.
O texto é de autoria de
Silvana Vilodre Goellner, Doutora em Educação e professora da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Diretora do Centro de Memória do Esporte da mesma instituição, Coordenadora do GRECCO - Grupo de Estudos sobre Cultura e Corpo e Pesquisadora do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Só estamos disponibilizando a parte do texto relativo a Memória Esportiva no Brasil.
 
...

Por essa razão tornam-se fundamentais, para a preservação da memória e a construção de histórias, os museus, centros de informação e documentação, bem como os acervos e as coleções particulares, identificados, neste aqui como "locais da memória".

Memória esportiva no Brasil: iniciativas pioneiras

No Brasil, desde há algum tempo podemos identificar iniciativas no que respeita a recuperação, preservação e socialização de dados referentes à memória esportiva brasileira, inclusive a memória olímpica. Em uma primeira fase estas iniciativas se estruturam a partir de interesses individuais de colecionadores e aficionados pelo esporte cujos acervos, em sua maioria, encontram-se ainda sem acesso público. Destaco, aqui, algumas dessas iniciativas: 1) o acervo de Gerson Sabino, jornalista de Belo Horizonte, que desde a década de 30 colecionou artefatos relacionados ao futebol visto ter participado de todas as Copas do Mundo até o ano de sua morte, em 1998. Gerson reuniu um vasto material referente a essa modalidade esportiva organizando uma coleção particular que está sob responsabilidade de sua família; 2) a coleção de livros de Mario Cantarino, localizada em sua residência na cidade de Brasília. O professor Mário começou a reunir diferentes obras desde o final dos anos 40, reunindo um acervo bibliográfico que se constitui, hoje, na maior biblioteca particular do Brasil sobre Educação Física e esportes. Com aproximadamente 4.000 livros, grande parte deles editados entre 1930-1950, possui ainda algumas obras raras tanto nacionais como internacionais; 3) Nos anos 60, é importante registrar a estruturação de outro acervo esportivo particular: o "Museu de Educação Física", organizado pelo professor Jair Jordão Ramos de modo informal e particular, na sua própria residência, no Rio de Janeiro. 4) Neste mesmo período, na cidade de Porto Alegre, o médico Henrique Licht, iniciou uma importante coleção sobre esportes organizando um acervo de aproximadamente 8.000 referentes à história dos esportes olímpicos e não olímpicos tanto mundiais como nacionais e regionais. Esse acervo foi doado, em novembro de 2002, ao Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e está disponível para consulta e pesquisa.
Como iniciativa individual de preservação da memória esportiva brasileira cabe ainda ressaltar o acervo de Roberto Gesta de Melo, atual Presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, cuja coleção particular reúne, em sua residência, na cidade de Manaus, documentos e objetos olímpicos com ênfase no atletismo destacando-se vários itens do acervo pessoal de Ademar Ferreira da Silva - grande atleta brasileiro e bi-campeão olímpico no salto triplo. Além desses acervos particulares figura como importante a biblioteca do professor Lamartine Pereira da Costa, composta por obras bastante preciosas no que respeita à memória e a história do esporte moderno.
Para além dos acervos particulares, os clubes esportivos desempenham, desde os anos 80 do século XX, um importante papel na preservação da memória esportiva e olímpica do Brasil. Destacam-se, por exemplo, Arquivo Histórico do Clube Espéria, de São Paulo (1989) http://www.esperia.com.br/; o Museu do Grêmio Football Porto Alegrense (1988) http://www.gremio.net/; o Centro de Memória Centro de Memória Hans Nobiling, ligado ao Esporte Club Pinheiros, em São Paulo (1991) - http://www.pinheiros.org.br/area_memoria/atendimento.asp; o "Memorial Sogipa" pertencente à Sociedade de Ginástica Porto Alegre que se identifica pela sigla SOGIPA (1992) - http://www.sogipa.esp.br/; o Flu-Memória, vinculado ao Fluminense Football Club, no Rio de Janeiro (1995) - http://www.flu.com.br/; Centro de Documentação do Comitê Olímpico Brasileiro (1996) - http://www.cob.org.br/ e o Acervo Histórico do Minas Tênis Clube (1997) - http://www.minastenis.com.br/. Estes clubes apresentam os acervos organizados e disponibilizados para consulta pública. Por certo vários outros clubes poderiam ser citados mas talvez ainda não o foram porque a sistematização, catalogação e recuperação dos acervos não estejam em condições suficientes para a garantir o acesso e a consulta aos materiais que abrigam.
Como locais da memória esportiva são importantes, ainda, as diferentes iniciativas institucionais que despontaram no Brasil a partir dos anos 80. Iniciativas estas vinculadas a órgãos públicos como, por exemplo, o Centro de Memória Esportiva "De Vaney" vinculada a Secretaria Municipal de Esportes de Santos (1993), cujo acervo engloba material a partir de 1938 - http://www.urbo.com.br/cmedevaney/. E, mais recentemente, os centros de documentação e memória vinculadas às Universidades como, por exemplo, o Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - CEME - http://www6.ufrgs.br/esef/ceme/index.html; o Centro de Memória da Escola de Educação Física e Desportos, vinculado à Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) - http://www.ceme.eefd.ufrj.br/. O Centro de Memória da Educação Física - Universidade Federal de Minas Gerais - CEMEF- UFMG (2001) - http://www.eef.ufmg.br/; e o Arquivo Maria Lenk que opera sob responsabilidade da Biblioteca da Pós Graduação em Educação Física da Universidade Gama Filho
Cabe ainda ressaltar o projeto do Museu Olímpico do Comitê Olímpico Brasileiro além de iniciativas do setor de informações esportiva, as quais tem convergido para congregar a memória com a informação compartilhada. Exemplos atuais desta intervenção no Brasil são: Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva - SIBRADID, sediado a Escola de Educação Física da UFMG - http://www.sibradid.eef.ufmg.br/; o Núcleo Brasileiro de Dissertações e Teses - NUTESES, o acesso às informações referentes à produção científica, dissertações e teses, da área de Educação Física, Esportes, Educação e Educação Especial - http://www.nuteses.ufu.br/index3.html; o Centro Esportivo Virtual - CEV - http://www.cev.org.br/; o REFELNET, Revistas de Educação Física, Esporte e Lazer On-line -vinculado à Escola Superior de Educação Física de Muzambinho-MG - http://www.efmuzambinho.org.br/ref.asp; e o CEDIME Centro de Documentação e Informação Esportiva do Ministério do Esporte que foi criado em 2003 e encontra-se em fase de estruturação. Este Centro constitui-se em um sistema virtual que busca aglutinar informações relacionadas ao esporte nacional objetivando potencializar ações direcionadas para a gestão esportiva - http://www.esporte.gov.br .
Se pensarmos na potencialidade que esses acervos têm no sentido de se constituírem tanto como locais da memória como locais para o desenvolvimento de projetos educativos relacionados ao esporte podemos perceber que os inúmeros desafios colocados à memória e a história do esporte moderno no Brasil e América Latina. Nesse sentido torna-se ser urgente efetivar algumas ações como, por exemplo: 1) o mapeamento dos acervos particulares e públicos; 2) a identificação de acervos particulares e a tentativa de que sejam cedidos/vendidos para instituições cujo acesso seja público, não só aos pesquisadores mas a todos que se interessam pela memória esportiva; 3) a implementação de projetos interinstitucionais e entre grupos de estudos cuja temática relaciona-se à Memória e a História Esportivas, estabelecendo uma rede de informações a ser partilhada não só aos grupos mas a quem delas desejar acessar via recursos computacionais; 4) a ampliação de ações dos grupos de pesquisa em história do esporte e das diferentes práticas corporais hoje existentes no Brasil e na América Latina objetivando, para além da atividade de pesquisa, a realização de ações como: exposições e oficinas temáticas a serem desenvolvidas em escolas, clubes, parques, praças, etc sensibilizando crianças e jovens para a preservação da memória esportiva local bem como a construção de histórias a ela relacionadas; 5) a organização de bancos de dados acerca da história esportiva nacional sua disponibilização através de recursos computacionais. Criação de home-pages, publicações on-line, CDRoms, etc; 6) a organização de acervos de depoimentos com pessoas que tiveram e tem significativa importância na construção/consolidação da história esportiva (atletas, dirigentes, entusiastas, jornalistas, colecionadores, etc); 7) o fomento à pesquisa sobre a memória esportiva de uma região, comunidade, cidade e incentivo a reconstrução de histórias particulares e específicas; 8) o incentivo, por parte dos Comitês Olímpicos, de instituições de fomento e empresas privadas aos grupos de Pesquisa em Memória e História bem como aos centros de memória, documentação e informação esportivas, objetivando qualificar suas intervenções.
Enfim, se muito já foi feito ao pensarmos na memória e na história dos esportes gostaria de finalizar esse texto afirmando que há, ainda, um mundo a se fazer. E este depende da paixão pelo tema, da ousadia teórica, do rigor metodológico, da sensibilidade histórica e, sobretudo, da vontade de que da memória esportiva floresçam histórias a nos contar sobre esse elemento da cultura que, cotidianamente, nos seduz, encanta e desafia.