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domingo, 18 de agosto de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: CARLOS ZAMITH



Homenagem prestada ao saudoso amigo Carlos Zamith, que faleceu no dia 27 de julho último, em Manaus, aos 87 anos.

Por José Ribamar Bessa Freire
 

Tinha 87 anos, 60 dos quais dedicados ao jornalismo esportivo. Despediu-se há duas semanas, deixando na orfandade uma legião de leitores fiéis que o seguiam, com fidelidade canina, a cada domingo, religiosamente, como quem vai a missa. Abríamos sempre o jornal no caderno de esporte e, antes de qualquer coisa, líamos a coluna Baú Velho. Quando Carlos Zamith, escritor, colecionador e guardião da memória do futebol no Amazonas mudava de jornal, a gente não queria nem saber: ia atrás dele.
É que no Baú Velho, a gente encontrava um pouco de tudo. Lá estavam as tardes mornas de domingo no Parque Amazonense: vestiário, gramado, bola, chuteira, jogadas sensacionais, arquibancada, gritos da torcida, alegria, sofrimento. O mundo cabia no Beco do Macedo, "o mundo todo girando, rodando e rebolando, o mundo todo, inteirinho, amassado, sacudido, debaixo dos pés do time", como canta o poeta Farias de Carvalho.
Numa partida de futebol, o que podia estar em jogo era o destino da humanidade. Lá, dentro do Baú, cabiam a vida borbulhante da cidade, o bonde da Praça da Saudade, a pracinha da Estação, o velho cais, os casais de namorados, as conversas na banca de tacacá nos domingos coloridos, as duas mãos do poeta e o sentimento do mundo.
Quem diz que o brasileiro não tem memória é porque jamais presenciou acaloradas discussões nas esquinas das cidades brasileiras ou na banca de tacacá da dona Alvina, onde Zé Buchinho e Petel recordavam cada lance daquele clássico Rio Negro x Nacional disputado no tempo do finado puta-merda, avaliando décadas depois qual o gol mais bonito: se o do Dermilson ou o do Thomaz Passa-Fome.

O COLECIONADOR

Sempre me intrigou como os apaixonados por futebol não esquecem detalhes de uma antiga partida, firulas de um drible, erros de arbitragem. O Brasil seria outro se os trabalhadores lembrassem de greves, da luta pela jornada de oito horas e de seus líderes sindicais com igual fervor e paixão.
Essa mesma paixão encontrada na memória oral da banca de tacacá está presente no Baú Velho de Carlos Zamith, que bate um bolão, "mexendo papéis antigos" para desenhar "um mapa de sonhos", como naquele outro baú do poeta. Ele era um colecionador nato que arquivou jornais, revistas, artigos, fotos, charges, e foi identificando e classificando esse material, criando uma espécie de museu do futebol amazonense. O Baú Velho se tornou um lugar de memória da nossa cultura popular.
O acervo do Baú formado pela coleção pessoal de Carlos Zamith foi enriquecido por pesquisas que realizou em jornais antigos da hemeroteca do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Biblioteca Pública. Ele foi anotando tudo em cadernos antigos, com devoção, com unção: campeonatos amazonenses, escalação dos times, arbitragem, renda, público, biografia e perfil dos jogadores. Organizou ainda narrativas orais que habitualmente só circulavam nas bancas de tacacá.
Aqui ele era imbatível. O desenho do perfil dos craques que faz é uma pintura, para ilustrar basta o exemplo do Boanerges, lateral do Nacional nos anos 1950. Quem o viu jogar e ainda por cima é nacionalino, como acontece com este locutor que vos fala, fica arrepiadinho. É pura emoção:
"(Boanerges) Nunca defendeu outro time a não ser o Nacional que era a sua vida desde garoto. Aprendeu a adorar a camisa da estrela azul solitária quando a sede ainda era na Rua Saldanha Marinho. Jogador raçudo, de boa impulsão, disposto a enfrentar qualquer jogada ríspida, firme na marcação, jogava mais com a perna esquerda e quando deixava o campo, com o rosto, de pele clara, bem avermelhada, demonstrava o esforço, sua luta pela camisa que vestia. Por tudo isso foi um ídolo da torcida nacionalina, porém esquecido, como sempre acontece no futebol".

LUGAR DE MEMÓRIA

A luta contra o esquecimento e contra outras armadilhas da memória é justamente um dos objetivos do Baú que ajudou a contar e a perpetuar histórias, colecionando, classificando e hierarquizando a informação. Não se trata apenas de uma recordação, mas de um processo de reconstrução da memória no qual Zamith foi um grande arquiteto na busca de eternizar os ídolos de nossa infância. Um reles escanteio, na pena de Zamith, ganhava contornos épicos, uma cabeçada bem dada lá no ninho da coruja tinha algo de heroico, de sublime.
O Baú não pode fechar, tem que continuar. Alguém tem que guardar para a posteridade a partida entre Nacional e Vasco da Gama pelas oitavas de final da Copa do Brasil no próximo dia 20 de agosto. Alguém tem que documentar o sofrimento dos vascaínos do Amazonas, que torcem pelo Nacional, divididos dramaticamente entre a Estrela Azul e a Cruz de Malta. Zamith, embora rionegrino e botafoguense, estará presente no coração do público neste dia no Estado do Sesi, no Coroado.
Leio agora neste Diário do Amazonas que o acervo do Baú Velho será tombado pelo Governo do Estado e vai ser musealizado, de acordo com proposta aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas na semana passada. Deve ser abrigado no Museu de Numismática, localizado na Praça da Polícia. Os nomes dos deputados Marcelo Ramos (PSB) e José Ricardo Wendling (PT), que apoiam a proposta, podem constituir garantia de que o Museu não será mais uma instituição burocrática a serviço dos interesses particulares do Berinho, sempiterno secretário de Cultura.
O Baú Velho do Carlos Zamith pode se inspirar no Museu do Futebol de São Paulo, cujo curador Leonel Kaz vê o museu como "um lugar para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos".
- Museu é lugar de entrar e dizer: é nosso! É lugar, portanto, de olhar de forma distinta para as coisas. E para os seres também. É lugar de aprender a olhar com outro olhar para o outro (que quase nunca vemos), para a escola (que pode ser, a cada dia, diferente do que é habitualmente) e para a cidade (que tanto desprezamos, porque parece não nos pertencer)" – escreve Leonel Kaz.
Ou na versão do cantador e repentista Ivanildo, citado na coluna de José Miguel Wisnik: "O museu é um saber / é remédio, é lenitivo / é um barco e é a arca / é gaveta e é arquivo / que lembra quem já morreu / e informa quem está vivo".
Nesta semana, o Rio está sediando a Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM). É um momento propício para declarar o Baú como lugar de memória do futebol e da expressão popular no Amazonas! Que se torne um centro de referência para historiadores, pesquisadores, jornalistas, estudantes e apaixonados pelo esporte! A Universidade Federal do Amazonas, cujo Laboratório de História da Imprensa gravou depoimento de Carlos Zamith, bem que poderia participar da construção do projeto.
Já faz algum tempo visitei Zamith em companhia do jornalista Jefferson Marques de Souza. Sua casa na Chapada havia sido alagada depois de uma chuvarada, quase comprometendo seus arquivos. Agora, a melhor forma de preservar seu acervo é zelar para que não fique submerso no esquecimento.

FONTE: Jornal Diário do Amazonas, 11.08.2013.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Nilo Dias Tavares


Nilo com Fernandão
 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Meu nome é Nilo Dias Tavares. Nasci em Dom Pedrito (RS), no dia 3 de abril de 1941.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Eu sempre estive envolvido com o futebol. Quando criança, saia da escola e passava o dia em um galpão nos fundos da minha casa rabiscando e colando figuras em grandes folhas de papel, que vinham enrolando as edições de “A Marcha”, um jornal político do Rio de Janeiro que meu pai, comerciário por profissão e político por paixão, assinava. Foram meus primeiros passos no jornalismo. Desde aquela época guardava tudo que me interessasse, recortes de jornais e revistas, fotografias. Mas nada guardei daquilo. Tinha até uma coleção da revista “Esporte Ilustrado”. As minhas pesquisas de verdade tiveram início em 1996, quando comecei a buscar subsídios para escrever um livro sobre o futebol na cidade gaúcha de São Gabriel, onde morava. E a partir daí guardei tudo o que encontrava pela frente.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou jornalista aposentado. A vocação que surgiu na infância fez com que me interessasse pela profissão. Trabalhei em rádios, jornais, televisão e até assessorias de imprensa. Tenho 55 anos de jornalismo.

Nilo nos tempos do rádio
 
04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Foi quando descobri que o futebol de São Gabriel (RS), onde eu morava havia começado em 1909. E resolvi escrever um livro sobre isso. Até porque havia presidido o clube de futebol profissional da cidade por vários anos.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
Pesquisar é uma coisa incrível, a gente parece que viaja pelo tempo. A satisfação de resgatar coisas que estavam praticamente esquecidas e perdidas em velhos jornais, e depois partilhá-las com outras pessoas, é algo que não tem preço, dá uma satisfação interior muito grande. Esse é o prêmio maior que os pesquisadores recebem.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Como estou aposentado, dedico a maior parte do meu tempo as pesquisas. Sempre que posso visito bibliotecas, percorro sebos em busca de raridades e muitas vezes descubro coisas incríveis, como uma coleção quase completa da “Revista dos Esportes”, editada em Pelotas (RS), nas décadas de 1940 e 1950. Adquiri vários números da revista, digitalizei e mandei para outros pesquisadores. Trata-se de um documento importante.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
A maior alegria foi poder escrever o livro “100 anos de futebol em São Gabriel (RS), cujo lançamento aconteceu em 1º de outubro de 2011, no Museu que hoje existe na antiga Igreja do Galo, na cidade de São Gabriel. Até hoje foi o evento que levou mais público até o local, quando foram vendidos mais de 200 exemplares da obra. Nunca tive decepções ou tristezas ocasionadas pelas pesquisas.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
Sem dúvida a que redundou no meu livro. E também ter conseguido uma cópia xerocada do livro "Rio Grande do Sul Sportivo", editado em 1919. Só existem seis originais do livro. O que eu consegui foi com a senhora Sandra Frank, filha do goleiro Frank, campeão gaúcho de 1919 pelo G.S. Brasil, de Pelotas. Ela atualmente reside em Fortaleza (CE). Entrei em contato com ela graças a um dos meus blogs que recebeu sua visita. Esse livro eu publiquei por inteiro no meu blog www.reliquiasdofutebol.blogspot.com e está a disposição de quem quiser.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Não tive essa experiência.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Não recordo de nenhum.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Eu encontrei durante minhas pesquisas em jornais antigos, páginas e mais páginas recortadas a Gillette. Isso é um verdadeiro crime contra o patrimônio cultural de uma cidade. Quem faz isso presta um desserviço a sua cidade e ao seu povo. Essas pessoas não são pesquisadores, são vândalos. Outra coisa é o desinteresse da maioria das autoridades em preservar coleções valiosas de jornais e revistas, que estão se desmanchando pela ação do tempo e pedem um trabalho de restauração e até de microfilmagens.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Sem dúvida o escritório do advogado Rui Barros, em São Gabriel (RS). Ele mantém coleções completas de vários jornais que circularam na cidade, todos encadernados e guardados em prateleiras. Lembra uma biblioteca. Eu sempre o chamei de guardião da memória da cidade.

Nilo e o historiador Osório Santana Figueiredo
 
13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
O do historiador Osório Santana Figueiredo, também de São Gabriel (RS). Ele guarda coisas incríveis que se transformaram em mais de duas dezenas de livros. Está com quase 90 anos de idade e ainda continua escrevendo. Além de seus arquivos pessoais, tem em seu poder arquivos valiosos de outros pesquisadores já falecidos. Sem falar numa enorme coleção de fotos, que vão desde as revoluções ocorridas no Sul do Brasil, até figuras ilustres e prédios antigos da cidade.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
As pesquisas devem ser compartilhadas com todos, pesquisadores ou não. Quem pesquisa e guarda o resultado só para si, não merece ser chamado de pesquisador. Eu sei de pessoas que tem em suas casas arquivos de parentes falecidos e não os mostram para ninguém, que dirá torná-los públicos. Por questões óbvias não cito nomes, mas em Rio Grande (RS) e Santana do Livramento (RS) existem casos assim. Eu já fiz de tudo para ter acesso a documentos valiosos resgatados por muitos anos, mas os parentes se negam a mostrá-los.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?
Que troquem “figurinhas” com outros pesquisadores.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Sou torcedor do S.C. Internacional, de Porto Alegre. Mantenho contatos frequentes com pessoas que fazem pesquisas históricas sobre o clube. E também com pesquisadores de outras agremiações. Convivência extremamente agradável. Cito o pesquisador Douglas Marcelo Rambor, de Três Coroas (RS), como um dos melhores parceiros que tenho. Ele faz um trabalho notável de resgate histórico de clubes extintos e de antigas competições no futebol gaúcho.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Já aconteceram vários encontros de pesquisadores gaúchos. Acho que o Rio Grande do Sul é o Estado mais avançado em pesquisas sobre futebol. Existe em cada cidade pelo menos um pesquisador. E muitos livros já foram escritos. Cito a obra de Hermito Lopes Sobrinho (já falecido), “Futebol e reminiscências – Relembrando o futebol do passado”, como um dos mais completos. Também o livro de Elizeu de Mello Alves, “O Futebol em Pelotas – 1901-1941”, é obra de grande valor. Eu tenho mais de 50 livros sobre o futebol gaúcho, além de dezenas de revistas antigas. E também muitos livros sobre futebol de outros Estados

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Como já citei, publiquei o livro “100 anos de futebol em São Gabriel-RS”. E mantenho dois blogs sobre futebol: www.nilodiasreporter.blogspot.com e www.reliquiasdofutebol.blogspot.com. Estou trabalhando em um novo possível livro, é sobre o futebol de Brasília. Ainda não tem título e nem sei se irei publicá-lo ou criar um novo blog.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Sim. Já citei acima.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
O futebol de Brasília.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Foram muitos, mas Thomaz Mazzoni creio que além de pioneiro foi o melhor de todos.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Não pensei nisso.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Acho importante que tenhamos esse blog. Ele, além de valorizar o nosso trabalho, também vai propiciar e facilitar novas parcerias.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Nirez de Azevedo


01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Meu nome completo apesar de pequeno é completo, Nirez de Azevedo.
Apelido tem apenas na família que sou chamado de Neném, já que fui o mais novo por sete anos, antes de nascer o meu irmão Mario.
Nasci em Fortaleza no centro da cidade com parteira em casa, isso em 26 de outubro de 1963.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Isso foi no final da década de 70, tinha um programa de perguntas e respostas em uma rádio local e eu nunca queria saber a resposta. Queria achar e aí pesquisava em jornais e revista.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou arquivista de uma estatal (terceirizado), trabalho na TV Ceará e não tem nada haver com pesquisa de futebol. Faz 18 anos que trabalho na TV.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Meu pai é um dos grandes pesquisadores da música brasileira,  conhecido nacionalmente. Ele é conhecido como “Nirez” e sempre vendo ele nas pesquisas tive o incentivo, só que eu me guiei para o Futebol.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
O que me deixou mais satisfeito foi conseguir levar para as pessoas o que eu achei e pesquisei. Mostrar para todos a história do nosso futebol.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
É hobby. Gosto de sabe tudo e ajudar as pessoas que não tem tempo a sabe o que acontece e aconteceu no futebol brasileiro. 

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Alegria foi quando o meu livro “A História do Campeonato Cearense de Futebol” foi publicado. Estou atualizando para uma segunda edição.

08. Qual (is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível (is)?
Todas são inesquecíveis, posso não lembrar mais é inesquecível.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Não tenho nada para citar

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Não foi um acontecimento, mas o momento das pesquisas, tirar umas férias de 30 dias não podia, pedi 15, aceitaram, mas com uma condição:  seria 30 dias de meio expediente. Trabalhava de manhã e estava de férias à tarde.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Existem alguns pesquisadores que perdem tempo pesquisando para si mesmo, já que pesquisa e só fala da pesquisa se ganhar dinheiro para isso.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Gostei bastante da Biblioteca Pública aqui de Fortaleza, tinha os jornais bastante organizados e agora que tem boa parte microfilmada ficou mais organizada.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
Aqui em Fortaleza não tem arquivo particular para visitação, todos são privados pelos donos. Mas assim mesmo visitei um do Sr. Alfredo Sampaio, o melhor e mais completo aqui de Fortaleza, pena que ele já faleceu.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
Qualidades, seria o desejo de mostrar a história para o mundo e o defeito é achar que só existe ele no mundo e que ele é o único que sabe.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?

Que os pesquisadores tenham a consciência de que a história é de um fato e não sua.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Sou torcedor do Ceará Sporting, não faço pesquisa específica, já que tenho dedicado maior parte das minhas pesquisas para o campeonato local.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Acho bastante difícil. Muitos deles já foram chamados e os maiores queriam saber o que ganhariam com a divulgação de suas pesquisas e outros são “sabidos”, pegam o que os outros pesquisam e dizem que foi ele quem pesquisou.
 

 

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Já publiquei um livro “A História do Campeonato Cearense de Futebol”, em 2001 e agora estou atualizando para tentar uma segunda edição.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Não, já tentei fazer um blog para mim, mas não foi possível encontrar tempo para fazer o blog.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Tenho a atualização do meu livro ainda para este ano.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Existem muitos ótimos. Muitos antigos e muitos recentes. É difícil dizer já que cada um tem sua ideia de pesquisa.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Conseguir todos os resultados dos campeonatos cearenses de 1915 até hoje. Acho quase impossível já que existiam muitas brigas entre Federação e imprensa.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Ótima ideia de colocar os pesquisadores na mídia, pessoas que às vezes ficam no anonimato, mas que deveriam aparecer.

sábado, 15 de junho de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Márcio Almeida



01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Marcio Silva de Almeida, Marcio Almeida, nasci no Gama/DF aos 06/05/1969.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Desde a adolescência juntei material. Fui colecionador de figurinhas, joguei bola, futebol de mesa, mas minha vida como pesquisador somente teve início em 2009.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou servidor público e trabalho na Justiça. Como o Direito é muito amplo e sou bacharel em Direito fiz pós-graduação em Direito Desportivo, embora meu dia a dia não seja esse, pois atuo na área da Justiça Infanto-Juvenil. Trabalho a 15 anos no atual emprego e anteriormente trabalhei no Banco Bradesco e Banco do Brasil.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Sempre quis comprar um livro sobre o futebol de Brasília e nunca encontrei algum nas livrarias ou nas bancas. Com muito custo fiquei sabendo que tinham alguns livros publicados pelo jornalista Gustavo Mariani, mas com edições esgotadas, foi então que resolvi a começar a pesquisar e a encontrar outros pesquisadores.
Com certeza, um dos incentivadores foi José Ricardo de Almeida que me relatou um pouco daquilo que ele já tinha encontrado.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
Sem dúvida foi conhecer pessoas e histórias que eu nunca tinha imaginado que poderia existir. Como consequência, fiquei sabendo como a população do Distrito Federal surgiu e cresceu, passei a conhecer as raízes do povo candango e parte da história da nação brasileira com os relatos de quem fez parte da história.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Para mim as pesquisas são fonte de cultura, é impossível folhear um jornal antigo e não dar uma olhada nas notícias políticas, econômicas e sociais e compreender um pouco de cada época.
Esse trabalho no início era um hobby, mas a partir dele muitos convites vieram, hoje sou cronista esportivo registrado na associação do DF, colunista em site de esporte, por isso, virou um segundo trabalho também.
Não posso determinar quanto tempo fico pesquisando, pois quando a gente faz algo por prazer o que importar é chegar ao final do trabalho não se importando quando tempo, é como perguntasse à uma criança quanto ela ficou saboreando um sorvete ao invés de perguntar se ela gostou ou não do sabor.
Minha família sabe o quanto gosto do que faço, por isso, me apoia e porque sempre incluo ela, de alguma forma, na tarefa e ela passa a ser partícipe da obra.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Encontrar pessoas que só conhecia pela imprensa e poder participar de alguma forma da vida delas foram as grandes alegrias, mas em saber como que nossa sociedade não guarda e não preserva sua própria história é muito triste.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
De 2009, quando começou, até agora, talvez por por sorte ou por intuição, só pesquisei coisas que classifico como inesquecíveis.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Como ainda não fiz nenhuma pesquisa decepcionante, espero não encontrar uma dessas no futuro.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Como todos sabem, em toda minha pesquisa procuro encontrar o personagem ou algum parente dele para saber se os fatos relatados foram condizentes com a realidade. Na minha primeira ida ao IHGDF (Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal) fui atendido por uma professora que me atendeu e falei que queria algo sobre a cidade do Gama, pois estava pesquisando sobre o time de futebol de lá, ela ficou surpresa e disse que o pai dela tinha sido técnico do time. Quando ela me falou o primeiro nome dele e eu imediatamente completei, ela ficou muito surpresa. Finalmente tinha encontrado um dos fundadores da Sociedade Esportiva do Gama e técnico da equipe alviverde.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
São tão poucos que não chegamos a ter contato frequente, mas independente de quem seja o fato de alguém rabiscar, rasgar ou extraviar uma fonte de pesquisa que pode servir para outra pessoa no futuro é motivo de raiva.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Biblioteca da Câmara dos Deputados, IHGDF e Arquivo Público do DF.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
O acervo dos jogadores gamenses Santana, Fantato e Manoel Ferreira e do goleiro Gaguinho do Rabello.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
A maior qualidade e o maior defeito é a persistência, pois o pesquisador quer encontrar a qualquer custo, e às vezes está tão afoito que incomoda algumas pessoas várias vezes. Peço desculpas a alguns entrevistados, pois preciso extrair deles o maior número de informações possíveis para que o trabalho seja bem feito e nem sempre o entrevistado está disponível ou se lembra do fato ocorrido.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?
Se organizar e se manter informado sobre o assunto a ser pesquisado.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Meu time é a Sociedade Esportiva do Gama pelo qual iniciei pesquisando a história e, apesar de serem poucos pesquisadores, sempre que posso recorro a eles sobre algum detalhe que eu não saiba. Pesquisa é um trabalho interativo, então troca de informações com os colegas é imprescindível, uma razão a mais de se ter e fazer novos amigos.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Que as próprias agremiações esportivas e a Federação Brasiliense de Futebol passe a apoiar ativamente esse tipo de trabalho, pois a recepção pelo público esportivo é muito grande e evita que a história do futebol local se perca. Acho interessante o encontro regular do grupo de pesquisadores, mas entendo que alguns tenham limitação de tempo pois exercem outra profissão além de pesquisador.
 



18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Em 2009, publiquei o DVD “Escrete 79: os bastidores de uma conquista”,contando como a Sociedade Esportiva do Gama conquistou seu primeiro título candango; em 2011, apresentei como trabalho de especialização em Direito Esportivo a monografia “O Estádio Bezerrão à luz do Estatuto do Torcedor”; em 2012, lancei o DVD “Coenge Futebol Clube - campeão brasiliense de 1969: a história do Leão do Gama, recentemente apresentei a monografia “Memorial Gamense –preservando a história do futebol na cidade do Gama” como trabalho de especialização em História Cultural do Brasil e lançarei os livros “Gaminha – 50 anos de tradição e conquista”, “50 anos de Futebol Amador na cidade do Gama” e um outro, em parceria com o pesquisador José Ricardo Almeida, “Rabello Futebol Clube: tetracampeão do Distrito Federal: o papa-títulos de Brasília na década de 60”.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Criei o site Memorial Gamense voltado a divulgar minhas pesquisas sobre o futebol amador e profissional na cidade do Gama, assim como todo o acervo que tenho sobre o tema.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Lançar os livros que estão na fase de acabamento e em 2015 lançar um livro contando a história da Sociedade Esportiva do Gama.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
No brasil admiro bastante Celso Unzelte e Paulo Vinícius Coelho do ESPN e aqui em Brasília fui inspirado nos trabalhos de Gustavo Mariani e José Ricardo Almeida. Para mim, são pessoas os melhores na área esportiva, além de apreciar bastante as pesquisas de Paulo Bertran e Adirson Vasconcelos sobre a história do Distrito Federal.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Arrumar um lugar onde o público tenha acesso ao material pesquisado e possa conhecer a nossa história esportiva.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Na minha opinião, espaços como este devem ser elogiados, pois aqui será um ponto de encontro virtual para todos aqueles que pesquisem possam saber o que os outros pesquisadores estão fazendo ou pretendem fazer e, quem saber, poder colaborar com o colega. Ótima iniciativa.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: José Jorge Farah Neto



 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
José Jorge Farah Neto, mais conhecido como Jorge Farah, nascido em São Paulo Capital, no bairro do Ipiranga, tenho 55 anos, sou de 1957.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Junto material de futebol desde que me entendo por gente, já de há muito tempo, porém minha grande paixão sempre foram jogos de botões e escudos de futebol.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Sou jornalista e gestor desportivo (administrador), sempre atuei na área de administração, porém desde 1995 me dedico mais a fundo as pesquisas de futebol, foi quando resolvi escrever um livro e iniciei o trabalho.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Eu mesmo e a proximidade que tinha do futebol, por meu pai ser dirigente esportivo há muito tempo, além da paixão que eu tenho pelo futebol.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
O prazer de descobrir novos e velhos clubes que tem poucas informações. Hoje é muito fácil com o advento da internet, sou do tempo que ir a bibliotecas era fantástico, hoje está muito fácil.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Pesquisar é um prazer e também um hobby. Hoje devido a alguns problemas de ordem pessoal eu pesquiso pouco, perto do que já fiz na vida, ia muito às bibliotecas, porém, hoje prefiro procurar pessoas que possam me dar informações novas e diferentes daquelas que livros e jornais nos apresentam.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Maior alegria foi ver meu primeiro Almanaque pronto e vivo. Tristezas, poucas, tão poucas que nem me lembro.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
O Almanaque do Futebol Paulista em todas as suas cinco edições.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Francamente não tenho.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Quando viajei pelo interior do estado de São Paulo, para conseguir dados nunca descobertos sobre equipes da nossa “hinterlandia” foi uma alegria conhecer pessoas que nunca pensei que existissem, colecionadores das mais incríveis, coisas de futebol, informações fantásticas, além de conhecer muito do nosso rico interior. Um fato que eu diria pitoresco foi em uma cidade aonde entramos em uma fazenda e quase fomos presos, pois a segurança interna nos proibiu de fotografar e queriam inclusive pegar nossas máquinas. Estou falando do ano de 2000 não de 1960. Calcule vocês estar dentro de um local fotografando de repente os seguranças pedem que você saia e deixe o filme de sua câmera fotográfica, ridículo, mas no fim deu tudo certo e as fotos estão comigo ate hoje, não vou citar a cidade nem o local para evitar problemas rsrsrs.

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Copiar infelizmente muitos copiam tudo que veem dos outros, detesto isto, quer a informação vá buscar, seja ético, isto me irrita muito.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Diversos, bibliotecas, arquivos de jornais, o arquivo da Gazeta Esportiva estava muito bom quando estive lá, do Estadão, e outros que nem me lembro o nome agora.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
O arquivo particular do saudoso querido amigo Delphim da Rocha Neto, fantástico tive tudo aquilo em minhas mãos e ainda ouvi dele que se não tivesse já doado a Universidade de Piracicaba teria doado a mim, nossa me senti orgulhosíssimo.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
Gostar do que faz é fundamental, fazer por fazer é terrível, aprecio muito aqueles que buscam sempre estes tem valor demais.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?
Não tenha medo de perguntar, ponto número um. Pense muito antes de questionar alguém e pesquise sempre antes de se aprofundar em questionamentos. Não fale de assuntos que não domina ou não tente mostrar que sabe mais que a pessoa que entrevista, seja humilde para ouvir, discuta quando tem certeza do assunto. Seja você mesmo.


16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
O meu time do coração é o Guarani Futebol Clube, fazer o que né! Em 1964, fui assistir Guarani x Santos, no Brinco de Ouro da Princesa, com meu pai. Fui ver o Santos de Pelé, a equipe do Santos havia voltado de uma excursão naquela manhã e pediu para adiar a partida mas, sabe como é, lógico que a diretoria da equipe do Guarani não aceitou. E fomos para o jogo. Resultado final: Guarani 5 x 1 Santos, com Pelé e tudo, adivinha o que o garotinho de 7 anos fez: começou uma paixão que dura até hoje pelo Bugre, sofro mas amo meu time. Já fiz algumas pesquisas sim, e procuro auxiliar aqueles que pesquisam sobre ele, tenho excelente relacionamento com a maioria deles.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Tem muito ainda a se descobrir sobre o futebol paulista principalmente a fase de amadorismo. Seria ótimo que nos reuníssemos e trocássemos informações com maior frequência, tenho muito ainda a descobrir e garanto que não vou parar.

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Como já disse antes, criei e escrevi como coautor cinco edições do Almanaque do Futebol Paulista, tido como referência do futebol paulista. Tenho diversos trabalhos, porém, sem patrocínio infelizmente fica difícil publicar.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Participo, dentro do possível, do RSSSF, Blog História do Futebol e principalmente sou editor do site de futebol de mesa
www.futeboldemesanews.com.br além de também editar o site da Federação Paulista de Futebol de Mesa o www.futmesa.com.br pois sou presidente da Federação desde 2007.

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Continuar a pesquisar futebol sempre e também a pesquisa sobre o futebol de mesa que muito me agrada.

21. Em sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Delphim da Rocha Neto, inigualável.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Pretendo ainda terminar as pesquisas sobre a história do futebol de mesa, que merece todo o nosso interesse por ser um esporte brasileiro.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
José Ricardo dispensa comentários. É um apaixonado por pesquisa e um grande amigo, e além do que um botonista. Sou apaixonado por tudo que ele escreve, e procuro sempre ler suas matérias, seu blog é atual e principalmente informativo.

CONTATOS COM O JORGE FARAH:
e-mail – zefarah@uol.com.br ou futmesa@futmesa.com.br ou king@futeboldemesanews.com.br
Telefones – 11 98579-5777




terça-feira, 7 de maio de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: JÚLIO CÉSAR GOMES DE OLIVEIRA


 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Sou Júlio César Gomes de Oliveira, nasci em 15 de julho de 1973, em Maceió, no Estado de Alagoas, mas sou filho adotivo de Campina Grande e da Paraíba!

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Em 1990 dei início às minhas aquisições. No princípio, apenas por hobby e pelo futebol de mesa. Meu pontapé foi com a tradicional Revista Placar, porém meu foco era sempre as revistas especiais. Permaneci fiel à publicação até por volta de 1998. O motivo para o abandono foi simples: percebi que havia pouca coisa sobre o futebol nordestino e praticamente nada sobre o futebol paraibano. Atualmente ainda adquiro os exemplares especiais, mas já não dou tanta ênfase como antes. Nada contra, mas quando você amadurece um pouco você fica mais seletivo para as coisas de sua região!

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Atualmente sou autônomo, cedendo meus serviços, experiência e consultoria em jornalismo e na área de designer de impressos para empresas. E minha profissão tem de certa maneira algo relacionada às pesquisas sobre futebol, afinal, poucos são os jornalistas que não tem interesse num bom papo de bola. Na autonomia estou a pouco mais de um ano e antes exerci por 11 anos várias funções dentro do jornalismo impresso. Trabalhei o extinto Diário da Borborema e por lá, devido a estrutura do jornal, você necessitava ser “plurifuncional”.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
Na verdade, a iniciativa partiu de uma necessidade que percebi durante a época que cursava jornalismo. Fui fazer uma matéria sobre futebol local e percebi uma falta completa de informações precisas. Havia muita história sem nexo e pouca gente sabia algo sobre o futebol paraibano. Existiam muitas contradições e material literário muito escasso. Aquilo atiçou minha curiosidade e como eu já estava um pouco rebelado quando ao futebol do eixo sul/sudeste, acabei indo mais além, isto por volta de 1998. Mas foi somente em 2001 que foquei no futebol da Paraíba!

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
A descoberta! Não existe satisfação maior para um pesquisador de futebol do que encontrar algo que contradiz uma verdade dita, ou, desconstrói uma realidade dada como certa. Sinto-me como um arqueólogo encontrando uma peça rara, ou um aventureiro que encontra um tesouro perdido. Isto é o que instiga a avançar e não parar no caminho!

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apoia você?
Para mim as pesquisas representam uma oportunidade de esclarecer fatos que infelizmente foram esquecidos com o passar dos anos. Tenho grandes colegas historiadores de formação acadêmica e por eles tenho um grande respeito. Sou reconhecedor de graduações e por isto não gosto muito de ser taxado de historiador, prefiro me considerar um curioso de história. Pesquisar é muito mais um hobby e talvez por isto, não me sinta obrigado a seguir a rigidez que a pesquisa em história necessita. Acho que desta forma, tudo flui bem.
Nestes dias, dei uma pausa nas pesquisas para me centrar mais no trabalho extracampo, mas quando o tempo me permite chego a me dedicar 15 horas por semana.
Um bom pesquisador é na verdade uma grande traça ambulante, bibliotecas são parte obrigatória do roteiro e meus familiares me apoiam e isto é que me dar mais incentivo, pois para mim, já há um ambiente positivo para isto. Às vezes, há reclamações quanto aos gastos financeiros, mas, faz parte!  


07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
Olha, a maior alegria é com certeza quando você encerra um ciclo de pesquisas, principalmente se aquele ciclo for bastante trabalhoso. Tristeza é quando você esbarra em algo que literalmente para sua caminhada por falta de fontes. Decepção é quando não há compreensão a cerca do que você está fazendo, há muita gente que acredita que você vai enriquecer com isto, ou simplesmente atrapalham seu trajeto por pura vaidade. Infelizmente é o ser humano!

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
Não há comigo uma específica, para mim todas são inesquecíveis. É claro que as que mais marcam são sempre aquelas que elucidam algum fato, exterminando mitos e estabelecendo a razão histórica!

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
Nossa, cheguei a ficar quatro anos parado numa tabela por falta de 2 resultados. Busquei todas as fontes e nada. Isto me chateava bastante, afinal, daquela década restavam apenas esses dois resultados para fechar o ciclo. Meu dilema chegou ao fim por puro acaso quando estava lendo uma revista de variedades dos anos 30 que não tinha nada a ver com futebol. Peguei a revista apenas por curiosidade, pois falava da passagem do Zeppelin sobre a Paraíba e quis ler. Páginas a diante... Surpresa! Uma ampla matéria sobre o campeão daquela temporada. Foram as três páginas mais lindas que já vi numa revista (risos), pois trazia não somente tudo sobre o campeão, mas, os resultados do campeonato inteiro. Não me contive e mesmo num setor silencioso escapou de mim um uuuuuhhuuuu!

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Uma vez entrei numa biblioteca e lá existia um mito sobre um fantasma de um vigilante que morreu há anos. O setor era bastante evitado porque o ambiente era coisa de filme de terror mesmo (risos). Estava lá pesquisando e no mesmo setor havia uma moça. A história sobre o fantasma era bastante conhecida no local, tanto que a própria moça me falava sobre isto, enquanto dividia a pesquisa comigo.
Dada certa hora, do nada um livro caiu sozinho da estante. Foi um baita susto. Minutos depois caiu outro, depois mais um. Neste momento a moça já estava tensa. A queda do quarto livro foi a gota d’água para ela que encerrou a pesquisa e, desconfiada, saiu do setor. Era notável o medo nos seus olhos. Quando o quinto livro caiu, aí foi minha vez de questionar o fantasma e ver o que era aquilo.
Nada demais, o vento entrava pela janela, batia num grande livro grosso que tinha na estante e canalizava o vento para o setor dos livros mais finos. Bastou tirar o livro grosso que desviava o vento para o fantasma ir embora (risos).

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Todo bom pesquisador sabe que o que tira do sério é quando você necessita do apoio de outro para fechar algum detalhe de sua pesquisa e logo de cara vem um não expressivo e em seguida um isolamento, como se você fosse uma ameaça ou um vírus contagioso. Isto é bastante comum e até certo ponto compreensível. Afinal o cara dedica anos na labuta, num esforço tremendo e de repente alguém chega só querendo o resultado. Essa fase de entender essa atitude eu já parei de questionar, hoje vejo da seguinte maneira, se aquela informação não vai interferir no andamento do seu foco de pesquisa, aí sim, não há problema em ceder informações, mesmo porque o ditado é antigo; uma mão lava a outra.
Mas, se realmente aquele dado for interferir no que você pretende fazer, aí cabe sim uma pausa compreensiva de quem precisou de sua ajuda.
Tenho um caso aqui mesmo de alguém que pesquisa um clube de futebol paraibano, cedi alguns dados meus para auxiliar na pesquisa e quando foi minha vez de solicitar apoio para esclarecer um fato para a minha, recebi um silêncio como resposta. Uma pena!

 
12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
Aqui na Paraíba o único que achei organizado foi o arquivo do extinto Diário da Borborema, onde às vezes eu me fazia de arquivista e exigia que o setor fosse adequado ao que cobra as normas de arquivos e bibliotecas. Depois que o DB fechou, os menos “desmantelados” são o do Instituto Histórico da Paraíba e a Biblioteca Átila Almeida da Universidade Estadual. Todos os outros acervos necessitam de amparo urgente.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
Conheci o acervo de um senhor chamado Severino Ramos, numa cidade que jamais pensei que tivesse possibilidade de ter algo assim, que é Areial, uns 30 km de distância de Campina Grande. Era um senhor super reservado e até mesmo na cidade poucos conheciam ele. Mas, fiquei surpreso, pois seu acervo tinha uma boa coleção de jornais Correio da Manhã da década de 30, revistas antigas, livros e fotos dos lugares onde ele fez turismo. Havia com ele postais internacionais e numa pequena sala quase um museu, antiguidades da década de 40. Vivia só, muito recluso. Visitei o acervo umas quatro vezes em 2009 apenas com caderno e lápis. Depois perdi contato. Em 2012, quando retornei com uma câmera digital, soube que ele tinha falecido há dois anos e ninguém soube informar aonde foi parar o acervo dele. Apenas me disseram que uma neta veio e levou tudo para o Rio de Janeiro. Ninguém soube informar para que parte do Rio, nem mesmo o proprietário da casa, que era alugada, sabia para onde ela levou tudo!

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
A maior qualidade é a insistência; a pior é a arrogância e o egoísmo, infelizmente isto existe!

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?

Sou um defensor nato da criação de uma confraria de pesquisadores, como jornalista aprendi a trabalhar em equipe e sei o que isto significa quanto ao andamento e sucesso de qualquer empreendimento. Sei que é complicado juntar um quebra-cabeça assim, creio que muitos até tentaram. Mas talvez o que impeça a união seja justamente essa relação “divulgar ou não divulgar” dados. 80% dos pesquisadores que conheço são super “reservados” em relação a seus dados. Grande parte quer publicar seu livro e seu trabalho, alguns parecem até que disputam uma corrida para ver quem sair na frente. Só que cada pesquisa tem sua característica. Às vezes há um cidadão que fala da história do Fulano Futebol Clube e acha que não pode haver outro que fale também. Ora, será que o Fulano Futebol Clube não tem outras histórias para contar que ele não saiba?

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Entregar a “rapadura” não é comigo (risos). Gosto quando todo mundo aqui fica na dúvida quanto ao meu time local. Há quem me atribua ser torcedor do Treze, outros do Campinense. Fato é que já fiz material para as duas equipes com empenho e dedicação semelhante. Quem me visitar vai ver material das duas equipes na minha casa. Quando há jogo de importância histórica para ambos, sempre vou, independente das cores. Prefiro dizer que sou CSA alagoano, porque acho as cores azul e branco bonitas.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Na Paraíba conheço atualmente onze pessoas que estão dedicadas a suas pesquisas de futebol. Desse total, creio que apenas quatro comungam o mesmo pensamento de formarem um clube de pesquisa. Os demais preferem caminhar sozinhos e pouco se interessam em interagir. O lado positivo desta história é que os quatro que andam trocando dados estão mais perto de publicar suas obras que os demais. Vejo isto como um reflexo quanto ao poder da união. Não tenho vergonha de dividir a publicação de uma obra com alguém, pelo contrario é um mérito.
Já imaginou uma obra do tipo Formação do futebol candango, por José Ricardo e J. César, ou Torneios do Futebol Brasileiro, por Julio Diogo e Mario Vinicius?

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Já publiquei varias matérias históricas sobre futebol no extinto Diário da Borborema. Inclusive já fui editor de suplementos sobre futebol paraibano. Também fui editor por dois anos da revista do Guia do Campeonato Paraibano e de um site local. Atualmente estou finalizando um livro sobre o campeonato com previsão de lançamento para 2014!
Nesta área de publicação tenho um bom conhecimento e sei exatamente o que é possível ou não de publicar e seus custos e onde obter opções de publicar!

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Me afastei um pouco da internet, mas auxilio um colega com uma coluna no site
www.pbesportes.net, um site simples mais com boa audiência na cidade!


20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
Projetos estão sempre fluindo na minha mente, trabalho com isto na parte que é voltada ao designer de impressos. Momentaneamente estou elaborando projetos gráficos de duas publicações, uma para a Paraíba e outra para o Rio Grande do Norte, ambas revistas. Pessoalmente, apenas o livro que pretendo lançar está na prioridade, mas, sempre do nada aparece algo que antecipa o livro, em geral através de revistas ou encartes!

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
No Brasil há e houve grandes pesquisadores de futebol. Atualmente acho o Celso Unzelte uma boa referência na mídia. O Veríssimo também traz muito do futebol gaúcho. Mas, há aqueles que ficaram esquecidos, o Tomaz Mazzoni é um desses. Se não fosse por ele muita coisa do futebol sul/sudeste estaria perdido!

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
O sonho de todo pesquisador é converter seus conhecimentos em livro, ainda não realizei isto!

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Acredito que o recado já foi dado e ele passa pela união de forças. Acredito que se realmente existir a formação de um time que objetive não somente se auxiliar, mas, promover publicações, vamos dar um passo ativo para a concretização de vários projetos que inúmeros pesquisadores tem. Sobre o blog não haveria iniciativa mais louvável, até mesmo para fomentar essa necessidade de interação entre os pesquisadores. Acho que está mais do que na hora de parar um pouco com as vaidades e começar a articular algo sério, mesmo que esse seja na base do “engatinhando”. Por incrível que possa parecer é possível reunir pesquisadores com um objetivo comum. Não é fácil, também se fosse fácil não seria algo que caracterizasse nosso perfil, afinal qual é o pesquisador que às vezes não complica (risos). Obrigado José Ricardo pelo espaço e não pare, o blog pode ser um bom começo para a confraria das traças.

domingo, 28 de abril de 2013

BATE-BOLA COM O PESQUISADOR: Sérgio Santos

 
 
01. Qual seu nome completo, seu apelido (se tiver) e onde e quando nasceu?
Meu nome é Sérgio da Silva Santos (Sérgio Santos), nasci em Brasília-DF, no dia 09 de agosto de 1975.

02. Com que idade você começou a juntar material relacionado ao futebol e a desenvolver pesquisas sobre o tema “futebol”?
Comecei a guardar material sobre futebol com 11 anos de idade. Anotava as escalações das partidas no jornal GAZETA ESPORTIVA e depois conheci a revista PLACAR, edição dos Campeões de 1986 e o Tabelão. Fiquei fascinado com tanto resultado de jogo (risos). Passei a desenvolver pesquisas em 1990, quando passei a ler todos os anos o Guia do Campeonato Brasileiro. Vendo os retrospectos históricos entre os clubes, comecei a montar os resultados, daí peguei gosto pelo negócio e não parei mais.

03. O que faz atualmente em sua vida profissional? Sua profissão está relacionada às pesquisas sobre o futebol? Quanto tempo está na atual profissão? O que fazia antes?
Trabalho na área de vendas e o que faço não tem nada a ver com futebol. Anteriormente trabalhava no ramo de combustíveis.

04. Alguém o incentivou a começar as pesquisas? Lembra quando foi e de que forma? O que o levou a iniciar as pesquisas?
A culpa é da PLACAR (risos). Como disse anteriormente, foi em 1986.

05. Qual a maior satisfação que as pesquisas lhe proporcionam ou proporcionaram?
A maior satisfação que uma pesquisa já me proporcionou foi recentemente, quando fiz o levantamento dos jogos da carreira de um atleta que está em atividade aqui em Mato Grosso. No dia 23 de fevereiro ele completou 350 partidas disputados por clubes em Mato Grosso, desde 1996. Ver a repercussão que gerou me causou uma alegria muito grande e fiquei motivado a fazer de outros atletas.

06. O que representa as pesquisas para você? É um hobby apenas? Quanto tempo de sua semana você dedica às pesquisas? Você é daqueles que regularmente vão até as bibliotecas? Sua família apóia você?
As pesquisas para mim representam algo muito importante. Pena que em nosso país é considerado como hobby. Hoje em dia não me dedico quase nada a fazer pesquisas, devido à falta de tempo, até mesmo porque moro num estado onde os locais para pesquisas são escassos, tendo apenas o Arquivo Público para se visitar. Minha família é neutra em relação a isso.

07. Quais foram as suas maiores alegrias na “carreira” de pesquisador? E as maiores tristezas ou decepções?
A minha maior alegria como pesquisador foi quando, em 1999, encontrei um monte de súmulas de futebol das décadas de 40, 50 e 60, atas de reuniões etc e consegui levar um pouco pra casa. A minha maior decepção foi quando, alguns anos depois, retornei ao local para ver se conseguia o restante. Aí já não estavam mais lá e ninguém sabe do paradeiro até hoje. Só de lembrar me causa arrepio.

08. Qual(is) a(s) pesquisa(s) que você fez e chamaria de inesquecível(is)?
Todas as pesquisas são inesquecíveis pra mim. Quando você pega um jornal e acha a informação que procura, solta aquele grito de alegria por dentro e a satisfação por ter conseguido.

09. E qual a sua pior pesquisa, aquela que você não gostaria de lembrar?
A pior pesquisa, não somente pra mim, mas acho que pra todos que pesquisam é aquela a qual não se obtém a informação procurada. Daí não gosto de ficar lembrando, pois me causa frustração por não ter completado o trabalho.

10. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido durante as pesquisas em bibliotecas, centros de documentação ou outros.
Diria três fatos pitorescos. A primeira foi em 1990, na biblioteca da escola onde eu estudava. Achei um Almanaque Abril da década de 70. Folheando ele, achei umas páginas de esporte com todos os resultados das Copas do Mundo e Copa América da história. Não pensei duas vezes. Destaquei e coloquei dentro do meu caderno. A segunda foi em 1994. Eu achei um livro com muita informação sobre a história da Seleção na Copa América. Eu peguei o livro e levei pra casa, escondido (risos). A terceira e última foi pesquisar no cemitério (risos). Estava fazendo um levantamento de ex-jogadores daqui de Cuiabá, aí como muitos já se foram e sei o nome completo de muitos, num dia de finados fui pesquisar a data de nascimento nos jazigos. Por incrível que pareça encontrei alguns (risos).

11. O que tira você do sério em relação à conduta de alguns pesquisadores?
Aqui em Cuiabá quase não tenho contato com pesquisadores. Mas percebo que os poucos que tem são muito egoístas, pois não gostam de divulgar as informações que possuem em seus acervos. Uma vez entrei em contato com um, ele foi muito mal educado comigo.

12. Qual o local de pesquisa mais organizado que você já visitou?
O local mais organizado que já visitei foi o Arquivo Público de Cuiabá. Lá ficam todos os jornais antigos e de fácil acesso, com funcionários que atendem bem.

13. E qual o arquivo particular mais interessante que você já teve a satisfação de poder visitar ou de saber de sua existência?
Ainda não tive o privilégio de conhecer nenhum arquivo particular.

14. Em geral, quais são as maiores qualidades e defeitos de um pesquisador?
Como pesquisador que sou, digo que as maiores qualidades são a persistência e a vontade de concluir um trabalho de pesquisa. Os defeitos, deixo para aqueles que não são pesquisadores falarem.

15. Que sugestões você daria para todo pesquisador com a finalidade de facilitar as pesquisas?

A sugestão que dou é criar uma espécie de banco de dados em nosso país para ser alimentado pelos pesquisadores, juntamente com as fontes, para que futuros pesquisadores não encontrem as dificuldades que os pesquisadores dos quatro cantos do Brasil têm.

16. Qual seu time do coração? Você faz ou fez pesquisas relacionadas a ele? Mantém contato com outros pesquisadores especializados em seu time do coração? Como é a sua convivência com estes?
Meu time de coração é o São Paulo Futebol Clube, desde 1985. Já quis pesquisar sobre o clube, mas a minha prioridade é procurar coisas relacionadas ao meu Estado, Mato Grosso. Não mantenho contato com pesquisadores a respeito do time que torço.

17. Quais suas sugestões e expectativas em relação às pesquisas em seu Estado? Acha que é possível reunir os pesquisadores regularmente em encontros de confraternização?
Não mantenho expectativas com relação às pesquisas no meu Estado devido à falta de interesse pela história do futebol. Gostaria que houvesse uma confraternização com os pesquisadores de todo o Brasil.

18. Você já publicou algum livro, monografia, CD ou DVD relacionados ao futebol? Tem algum trabalho no “forno”?
Já fiz um trabalho de monografia, em 2008, num concurso denominado escreva A HISTÓRIA DO FUTEBOL MATOGROSSENSE. Tenho vontade de fazer um livro contando a história do futebol de Mato Grosso.

19. Você participa de algum blog ou site especializado em pesquisas sobre o futebol?
Participo do blog: http://arquivosdofutebolbrasileiro.blogspot.com.br/  ARQUIVOS DO FUTEBOL BRASILEIRO e http://www.facebook.com/pages/Futebol-Cuiabano/391010047654392 FUTEBOL CUIABANO

20. Quais são seus projetos de pesquisas para o futuro?
O meu projeto para o futuro é publicar um livro contando toda a história do futebol de Mato Grosso.

21. Na sua opinião, qual foi o melhor pesquisador que já tivemos em nossa história?
Na minha opinião o maior pesquisador da história é aquele que publicou aquele livro que você tanto queria ler. Eu particularmente me fascinei com o Caminho da Bola, com todas as fichas técnicas da história do Campeonato Paulista. Com os Almanaques dos clubes que foram publicados. E todos aqueles relacionados às estatísticas entre clubes.

22. Um sonho que você ainda não realizou em suas pesquisas.
Conseguir reunir todas as fichas técnicas da história dos campeonatos de Mato Grosso, desde 1936.

23. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre as pesquisas, sobre o blog e também sobre outro tema qualquer.
Parabéns pela iniciativa de reunir todos os pesquisadores. Espero que seja o inicio de uma revolução para que num futuro próximo todas as informações possíveis sobre futebol sejam divulgadas e dada a devida importância na história do nosso país.