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domingo, 3 de março de 2013

PESQUISANDO NO CÉU: GERSON SABINO

 
 
Os amigos e colegas de redação que conheciam Gerson Sabino assim o definiam: excelente cronista esportivo e pesquisador do futebol, uma verdadeira “enciclopédia”, colecionador de fotos e de textos históricos do futebol, de memória assombrosa e coração do tamanho de um bonde.

 

Este era Gerson Tavares Sabino, que nasceu em Belo Horizonte (MG) em 12 de outubro de 1915, onde encantou-se pelo esporte mais querido dos brasileiros para desgosto dos pais, que queriam vê-lo estudar. Com jogo de cintura, Gerson satisfez a todos - foi goleiro do América Futebol Clube, sem deixar de lado a escola. Formou-se em Direito em 1939 pela Escola de Direito de Minas Gerais, hoje Universidade Federal de Minas Gerais.
Já na década de 1930 Gerson Sabino iniciou uma coleção de diversos documentos relacionados ao futebol.
Participou de todas as Copas do Mundo até o ano de sua morte, em 1998, tendo reunido vasto material referente a essa modalidade esportiva, cujo acervo tem um caráter particular e está sob responsabilidade de sua família.
Até a Copa de 1994, talvez tenha sido o jornalista brasileiro que mais vezes t
rabalhou na cobertura de todas as Copas do Mundo desde 1938. A
ssistiu todas as grandes feras do futebol jogarem. Foi correspondente de uma revista inglesa no Brasil e acumulou um volume tal de camisas de seleções e principalmente de times em número suficiente para presentear muitos de seus amigos.
Irmão mais velho do escritor Fernando Sabino, Gerson brincava carinhosamente com os irmãos, a esposa e os filhos dizendo que, apesar de sua paixão pela seleção brasileira, a família ainda era seu time preferido. Casado com Tereza Hardy Sabino, o jornalista teve seis filhos, 15 netos e três bisnetas.
Segundo seus familiares, Gerson respirava futebol e tudo na vida dele tinha que ter referência ao futebol. Gerson sempre dizia que só havia decorado a data do casamento da filha porque ela coincidia com o ano em que o Brasil foi tricampeão mundial, em 1970, no México.
Gerson Sabino gostava tanto do futebol como detestava aqueles que o dirigiam. Autor de uma frase que ficou famosa em Belo Horizonte: “No Brasil, todo mundo entende de futebol ... menos os cartolas”.
Sempre foi apreciado nos programas de rádio e televisão e em seus artigos nos jornais e revistas, pois motivava todos a gostar do futebol e da história de seus craques.
Até morrer, manteve o programa Gerson Sabino e o futebol nacional e internacional, que ia ao ar todos os domingos na Rádio América, em Belo Horizonte.
Com a seleção brasileira como alvo de sua grande paixão, Gerson muitas vezes teve que suar a camisa para acompanhar a equipe nos mundiais. Poucas vezes foi para as copas por algum jornal. Na maior parte das vezes, ele tinha que se virar, mas ele sempre dava um jeito de custear a viagem. E, de lá, sempre mandava artigos para o Brasil. A viagem para a França seria paga pelos filhos, genros e irmãos. Quando soube do presente, Gerson escreveu aos familiares uma carta emocionada de agradecimento, antevendo a copa que não chegaria a cobrir.
Gerson Sabino faleceu no dia 9 de abril de 1998, aos 82 anos, quando já estava de malas prontas para assistir em junho daquele ano ao Mundial da França, que seria a sua 14ª copa.
Um mês antes de morrer, Gerson esbanjava saúde, com fôlego para grandes caminhadas, um coração forte e a memória em dia. Uma súbita falta de ar colocou Gerson de cama e, depois de 21 dias de internação no Hospital Madre Tereza, não resistiu a uma pneumonia dupla.
O enterro do jornalista no cemitério do Bonfim foi acompanhado por comentaristas, técnicos e jogadores que tinham em Gerson Sabino um grande amigo e um ótimo conselheiro.

À esquerda, Gerson, de óculos e camisa escura; à direita, Pelé

De todas as seleções que viu atuar, Gerson Sabino não tinha dúvidas: a mais genial de todas era, para ele, a de 1970, que tinha como craques Pelé, Tostão e Rivelino. Um de seus grandes orgulhos, era ser amigo pessoal de Pelé.
Em 1971 foi apontado pela revista Placar como dono do maior arquivo existente no Brasil sobre futebol.
Em abril de 1996, a pedido dessa mesma revista, Gerson Sabino escalou o que considerava a sua Seleção Brasileira de Todos os Tempos:
Gilmar, Djalma Santos, Domingos da Guia, Bellini e Nilton Santos; Gerson e Didi; Garrincha, Zizinho, Pelé e Leônidas da Silva.
Dono de uma memória invejável, Gerson tinha um estoque de casos sobre as copas que lhe renderam até um prêmio de jornalismo por uma série de matérias escritas por ele e batizada de "Memórias das Copas", publicada em 1989 no jornal Hoje em Dia, da capital mineira.
Quando o goleiro Taffarel deixou o Atlético Mineiro após o fim da Copa do Mundo de 1998 e por uma identificação forte com a torcida atleticana, escreveu uma carta de despedida que foi publicada no jornal Estado de Minas em 12 de julho de 1998.
Numa parte do texto, ele dizia: “Gostaria de citar o nome de todos os amigos, de todas as pessoas que me deram força, de todos os torcedores que gritavam meu nome, de todos. Mas escolhi um que representa bem o verdadeiro mineiro, o tipo de amigo, fã que todo jogador gostaria de ter e que eu tive: Gerson Sabino (ele deixou Belo Horizonte antes de mim).
Apesar da paixão pelo futebol, Gerson Sabino contribuiu ainda para o desenvolvimento do basquete brasileiro. Em 1947, a seleção mineira de basquete ganhou seu primeiro título nacional e logo depois o título sulamericano, sob a direção de Gerson. Como treinador, Gerson Sabino sempre lançava mão de um jargão considerado por ele como um estímulo aos jogadores: "No fim, tudo dá certo. Se não der, é porque algo foi feito errado", dizia ele, antes de cada partida.
Foi diretor do Minas Tênis Clube, fundado em 15 de novembro de 1935, clube que ajudou a organizar praticamente sozinho. Já sexagenário, ainda jogava no gol nas peladas de futebol de salão.

O Instituto Gerson Sabino

O Instituto Gerson Sabino é uma entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo é incentivar todas as atividades educacionais e culturais ligadas ao universo lúdico. Sua ideia surgiu a partir da experiência acumulada ao longo de duas décadas de pesquisa de jogos, brinquedos e brincadeiras de todo o mundo, realizada constantemente pela loja Origem, de Belo Horizonte.
Motivados pela ampla repercussão de trabalhos culturais e educacionais relacionados aos seus produtos, a Origem achou que era chegada a hora de dar maior nitidez a uma vertente de trabalho diferente da comercialização de jogos e objetos lúdicos, e idealizou a criação de um instituto cultural e educativo que pudesse dar guarida formal a essas atividades, que surgiram de uma forma orgânica e a cada dia dão mais frutos.
Ao fazê-lo, o primeiro nome que emergiu foi o de Gerson Sabino, grande incentivador, apoiador, criador e concretizador de sonhos, a quem os idealizadores do Instituto devem um tributo de gratidão e reconhecimento. Como familiares e como admiradores do grande homem que foi Gerson Sabino, ficaram imbuídos da vontade de fazer multiplicar sua visão de mundo e ampliar a sua capacidade de contribuir para a educação e a cultura de nosso país. Este é o objetivo e a razão de ser deste Instituto.

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